Em outra categoria

Renato Aragão, o "Didi Mocó" do grupo Os Trapalhões, recebeu uma homenagem no palco do Domingão Com Huck deste domingo, 21, aos 89 anos de idade. Ele teve seu contrato encerrado com a Globo em 2020.

Em determinado momento, Renato Aragão destacou a Luciano Huck, ainda que sem dar maiores detalhes a que diretamente se referia: "Muito obrigado, eu não mereço tudo isso. Você me deu uma noite maravilhosa. Nunca me lembrava de coisas tão maravilhosas que eu tinha feito. Algumas coisas erradas, eu peço desculpa... Mas, você estar me trazendo aqui... Eu estou em outro mundo!"

Além de rever muitas imagens de arquivo, ouviu depoimentos de artistas como Xuxa, Angélica e Rafael Portugal. Dedé Santana, seu parceiro de programa por muitos anos, apareceu no palco para dar um abraço no amigo.

"Meu querido Didi. Já faz mais de 60 anos que as nossas vidas se cruzaram, lembra? E desde aquele dia as nossas linhas do tempo passaram a andar juntas. Viramos reflexo um do outro, porque não tem Didi sem Dedé, e não tem Dedé sem Didi. Se sempre foi assim, por que hoje seria diferente?", disse Dedé.

Ao longo dos anos, a relação entre Dedé Santana e Renato Aragão foi alvo de diversas especulações sobre brigas. A dupla passou algum tempo sem trabalhar em conjunto, quando Renato fazia a Turma do Didi na Globo e Dedé fazia o Comando Maluco, no SBT, por exemplo. Nos últimos anos, eles têm dado declarações elogiosas mútuas.

Paulo Coelho publicou um longo relato sobre a prisão e a tortura que sofreu durante ditadura militar (1964-1985) no Brasil. O escritor utilizou seu perfil no X (antigo Twitter) para relembrar os fatos neste domingo, 21. Ele já havia relatado a situação da mesma forma em um artigo publicado no The Washington Post em 2019.

O caso ocorreu em 1974, época em que o Ato Institucional n.º 5 (AI-5) ainda estava em vigor. Um grupo de homens armados teria entrado em seu apartamento. Ele destaca não saber do que se tratava, já que era "apenas um compositor de rock" na ocasião.

"Um deles, o mais gentil, pediu que eu os acompanhasse 'apenas para esclarecer algumas coisas'. O vizinho viu tudo e avisou a minha família, que imediatamente ficou em pânico. Todos sabiam o que o Brasil vivia àquela época, ainda que não houvesse cobertura nos jornais", descreve Paulo Coelho.

Ele foi levado ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops), onde foi registrado e fotografado. Após algumas perguntas simples, teria sido liberado. O mesmo homem gentil de antes lhe ofereceu um café e lhe acomodou em um taxi, que iria para a casa de seus pais.

"No caminho, o taxi foi bloqueado por dois carros - um homem com arma na mão sai de um deles e me puxa para fora. Eu caio no chão e sinto o cano da arma na minha nuca. Olho para o hotel à minha frente e penso: 'Não posso morrer tão cedo'. Caí em uma espécie de estado catatônico. Não sentia medo, não sentia nada".

Paulo Coelho relata que, à época, sabia de histórias de outros desaparecimentos. Encapuzado para não enxergar para onde ia, permaneceu no carro por meia hora e chegou a aceitar o destino de que seria executado.

O escritor ainda destaca o que lhe diziam: "Você está lutando contra o seu País. Você vai ter uma morte lenta, mas você vai sofrer muito primeiro".

Com o "instinto de sobrevivência" crescendo aos poucos, "Pedi a eles que não me empurrassem, mas fui socado pelas costas e caí. Me disseram para tirar minha roupa. O interrogatório começou com perguntas que eu não sabia como responder."

"Me pediram para trair pessoas de quem eu nunca tinha ouvido falar. Disseram que, se eu não cooperasse, jogariam água no chão. Por baixo do capuz, vi que havia uma máquina com eletrodos que estavam ligados aos meus genitais", descreveu Paulo Coelho.

Em desespero, apelou aos torturadores, em vão: "Eu digo a eles que não precisam fazer isso. Eu confesso o que eles quiserem que eu confesse, eu assino o que é que eles quiserem que eu assinasse. No dia seguinte, mais uma sessão de tortura, com as mesmas perguntas."

"Eles me deixaram. Depois de não sei quanto tempo e não sei quantas sessões (o tempo no inferno não é contado em horas), houve uma batida na porta e ordenaram que eu pusesse meu capuz de volta", continuou.

Paulo Coelho, então, foi levado a uma sala pequena, completamente escura, com ar-condicionado forte e uma sirene incessante. "Comecei a ficar louco. Tive visões de cavalos."

"Eu batia na porta da 'geladeira' (descobri depois que era a forma como chamavam o local), mas ninguém abria. Desmaiei. Eu acordava e desmaiava, de novo e de novo. Em certo ponto, pensei: é melhor apanhar do que continuar aqui", conta.

"Não sou mais interrogado. Estou em confinamento na solitária. Um dia, alguém joga minhas roupas no chão e diz para eu me vestir. Me visto e coloco o capuz. Sou levado a um carro e jogado no porta-malas. Dirigem pelo que parece uma eternidade, e paramos. Vou morrer agora?", prossegue.

Paulo Coelho, então, relembra a forma como os momentos de terror terminaram: "Me dizem para tirar o capuz e sair do carro. Estou em uma praça pública repleta de crianças, em algum lugar do Rio de Janeiro, mas não sei onde".

O escritor foi à residência dos pais, que recomendaram que evitasse sair de casa. Buscou contato com amigos, mas ninguém o atendia, fazendo com que se sentisse sozinho. "Se eu fui preso, devo ter feito alguma coisa, eles devem estar pensando. É muito arriscado ser visto com um ex-prisioneiro. Eu posso ter deixado a prisão, mas a prisão permanece comigo".

Paulo Coelho ainda destacou a ajuda de Roberto Menescal e Hildegard Angel, que lhe ofereceram um trabalho nos momentos difíceis.

Por fim, relembrou o momento em que diversos arquivos da ditadura foram tornados públicos. O escritor relata uma conversa que teve com Fernando Morais, seu biógrafo: "Eu pergunto por que fui preso. 'Um informante te acusou', ele diz. 'Você quer saber quem foi?'. Não. Não vai mudar o passado."

Hachiko é uma instituição nacional japonesa, com vocação universal. A história do cão que esperou por dez anos a volta do seu dono, já falecido, se tornou poderoso símbolo de devoção e fidelidade que, por contraste, tende a prosperar neste mundo construído em torno do culto a si mesmo e desprezo pelos outros.

A história, verdadeira, passou-se nos anos 1920. No Japão, ergueram uma estátua ao cão da raça Akita em frente à estação de trem onde ele esperava diariamente pela chegada do seu dono, um professor universitário. Inspirou livros e mangás, e um primeiro filme, de 1987, com direção de Seijiro Koyama, foi sucesso não apenas no Japão mas no exterior.

O roteiro é assinado pelo grande escritor e cineasta Kaneto Shindô (de A Ilha Nua e Onibaba), que imprime certo caráter social à obra, com a amizade desinteressada do animal contrastando com a frieza de uma sociedade de ares polidos, porém pouco solidária.

Houve depois uma versão norte-americana, de 2009, do sueco Lasse Hallström (de Minha Vida de Cachorro e Gilbert Grape), estrelada por Richard Gere na parte humana, intitulada Sempre ao Seu Lado. Está disponível nas plataformas de streaming Prime Video e Globoplay.

A versão que chegou na quinta, 18, ao circuito é chinesa, dirigida por Ang Xu. A base da história continua a mesma. Um professor de meia-idade, Chen (Feng Xiaogang), numa viagem com colegas, encontra e se apaixona por um filhote de cão abandonado. Como a mulher do professor é traumatizada com cachorros, por ter sido mordida na infância, Chen introduz o filhote em casa de maneira clandestina. Até que as gracinhas do animal acabam por vencer as resistências iniciais.

Não se exige qualquer esforço de interpretação para filme tão simples e ostensivamente destinado ao grande público, em qualquer latitude ou longitude. Em um mundo conturbado e complexo como o nosso, o procedimento é não quebrar o encanto com complicações inúteis.

As cenas alternam-se entre o cotidiano do professor e sua família, e as fofuras e habilidades do cão - um verdadeiro prodígio que, todo dia, por exemplo, leva para casa um jornal comprado pelo professor numa banca em frente da estação do teleférico da cidade onde morava. Essa habilidade terá importância no desfecho emocional da história.

E o teleférico é quase outro personagem, pois no início a família, de visita à cidade, comenta que ele havia sido substituído pelas pontes e agora funcionava apenas como atração turística. No entanto, em seu tempo, o professor Chen o usava todo dia para lecionar no outro lado do rio.

FLASHBACK

Hachiko - Para Sempre é um filme modesto e honesto naquilo que promete e entrega ao espectador. Não apresenta qualquer dificuldade em criar empatia e sua única e simples variação de linearidade é a maneira como começa. A mulher, já de idade, e seus dois filhos adultos, visitam a cidade de onde se mudaram e, para sua surpresa, se deparam com um personagem que não viam havia muito tempo - adivinhem quem. O que se segue é um longo flashback destinado a contar o caso desde o início.

Hachiko, em qualquer das versões, é um filme de emoções e esse remake chinês não é diferente. Um espírito crítico mais exigente poderia fazer ressalvas a alguns excessos melodramáticos, em particular nas partes finais. Mas nem isso compromete o filme em seu diálogo fácil com o público, talvez pelo contrário. A experiência de quem viu os outros dois pode se reproduzir com o atual. Depoimentos desses espectadores falam em cascatas, mares e oceanos de lágrimas derramadas. Portanto, prepare a caixa de lencinhos de papel e também um bom estoque de água mineral para prevenir a desidratação.