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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem apenas um compromisso em sua agenda pública nesta segunda-feira, dia 22, em São Paulo. Às 16h, ele se reúne com o diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, e com o superintendente da Superintendência de Seguros e Privados (Susep) Alessandro Octavini, na sede da pasta na Avenida Paulista.

O cientista político e sócio da Tendências Consultoria Rafael Cortez disse ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, que a desistência de Joe Biden da corrida presidencial nos Estados Unidos deve mexer com os mercados e premiar a incerteza. Biden anunciou mais cedo neste domingo (21) que não concorrerá mais à reeleição, e que apoia o nome de sua vice, Kamala Harris, para ser a candidata democrata na disputa.

"Deve mexer sim com os mercados, ainda que de forma mais marcada pela incerteza, premiando a incerteza, do que propriamente com uma percepção concreta do que vai acontecer", disse Cortez. Segundo ele, os operadores trabalhavam com uma probabilidade muito forte de eleição do republicano Donald Trump. Agora, a disputa ficaria mais equilibrada.

"Tem efeitos ainda razoavelmente controlados até ter um sinal mais concreto de quem vai ser a alternativa, de ter os primeiros sinais desse novo postulante. Tudo indica que pode ser a Harris", declarou o cientista político. De acordo com ele, o mercado aguarda os desdobramentos da substituição para analisar o discurso sobre temas econômicos de quem assumir a candidatura.

Cortez afirmou que deve haver uma euforia dos democratas no primeiro momento, e que a força da nova candidatura dependeria da capacidade de o novo nome escolhido unificar o partido em torno de si.

O analista também afirmou que Biden e Trump têm níveis de rejeição próximos. Se o candidato democrata for outro, o partido poderá ter mais facilidade para jogar com a rejeição de Trump. "A mudança Biden-Harris, ou Biden-outro nome, permite ao partido ter a oportunidade de explorar uma campanha com variação de rejeição, anulando esse efeito da avaliação negativa de governo", declarou Rafael Cortez.

A Nippon Steel contratou um reforço de peso para destravar sua oferta de compra da U.S. Steel. Mike Pompeo, que foi secretário de estado no governo de Donald Trump, e que esteve na convenção Republicana que indicou Trump como candidato oficial do partido para a eleição presidencial deste ano, vai atuar como conselheiro da siderúrgica japonesa.

Em dezembro, a Nippon Steel anunciou a oferta de compra da U.S. Steel, por US$ 14,1 bilhões. Dois dias depois, o presidente da siderúrgica japonesa, Eiji Hashimoto, disse que, com a aquisição, ele criaria um campeão mundial livre numa indústria dominada pela China. Caso a negociação se efetive, a Nippon Steel seria a maior produtora global de aço, "excluindo a China, no mundo de livre concorrência", disse Hashimoto.

Mas se a intenção era se apresentar como alternativa à China, um argumento que agrada a Washington, a oposição política à venda de uma siderúrgica americana aos japoneses, foi um dos poucos temas a unir democratas e republicanos. Alguns membros do Congresso disseram que tentariam bloqueá-lo. Donald Trump declarou que, caso eleito, bloquearia o acordo, enquanto Joe Biden disse que é importante que a siderúrgica americana continue sob o comando dos Estados Unidos. Sem contar United Steelworkers, sindicato que representa cerca de 11 mil trabalhadores da U.S. Steel, que classificou a venda como gananciosa.

Em abril, acionistas da U.S. Steel votaram a favor do acordo, mas a efetivação depende de uma série de autorizações governamentais e das autoridades de regulação americanas.

JD Vince, oficializado como candidato à vice na chapa de Donald Trump, na convenção republicada de quinta-feira, 18, é uma das mais ativas autoridades contra a venda. Poucos dias antes da assembleia de acionistas da U.S. Steel, Vince enviou uma carta ao CEO da siderúrgica americana, David Burritt, e ao presidente do conselho, David Sutherland, na qual afirma que a U.S. Steel não deixou claro aos acionistas os "obstáculos políticos e regulatórios" que a proposta de fusão enfrentaria. "Receio que os acionistas tenham sido assim induzidos em erro", escreveu o agora candidato a vice presidente dos Estados Unidos.

Por maior que seja o trânsito de Pompeo nas esferas do poder americano, a tarefa de fazer o acordo seguir adiante não será tarefa fácil.