Governo brasileiro condena invasão da embaixada mexicana no Equador; veja nota

Internacional
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O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota, há pouco, condenando a invasão da embaixada mexicana no Equador pela polícia daquele país. "O governo brasileiro condena, nos mais firmes termos, a ação empreendida por forças policiais equatorianas na Embaixada mexicana em Quito na noite de ontem, 5 de abril", diz a nota.

De acordo com o Itamaraty, a ação representa uma "clara violação" à Convenção Americana sobre Asilo Diplomático e à Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. A convenção determina que as embaixadas são invioláveis e só podem ser acessadas com consentimento do chefe da missão diplomática.

"A medida levada a cabo pelo governo equatoriano constitui grave precedente, cabendo ser objeto de enérgico repúdio, qualquer que seja a justificativa para sua realização", critica o governo brasileiro.

O México anunciou nesta sexta-feira, 5, o "rompimento imediato" das relações diplomáticas com o Equador depois que a polícia equatoriana invadiu a embaixada mexicana em Quito para prender o ex-vice-presidente Jorge Glas, que havia recebido asilo político.

Em uma mensagem na rede social X (antigo Twitter), o presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador descreveu o incidente como uma "violação flagrante do direito internacional e da soberania do México".

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a enfrentar protestos de professores federais ontem, durante a inauguração de obras na rodovia Presidente Dutra, em Guarulhos (SP). A categoria, que já havia protestado em um evento do presidente em Araraquara (SP) na sexta-feira, está em greve há mais de um mês. A paralisação atinge 58 universidades federais.

Os professores reivindicam reajuste salarial acima do proposto pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. A pasta ofereceu 9% em janeiro de 2025 e 3,5% em maio de 2026. Os docentes, porém, querem reajuste ainda neste ano de 7,06%, e de 5,16% em 2026, enquanto concordam com o índice para o ano que vem.

"Estou vendo alguns companheiros levantando cartaz ali para mim 'estamos de greve'. Que bom que vocês podem vir no comício do Lula e levantar um cartaz dizendo que estão de greve. Que maravilha é garantir o direito democrático das pessoas lutarem, reivindicarem e chegarem a um acordo no momento correto", disse Lula em seu discurso. "O nosso governo é democrático e sabe lidar com as diferenças e contradições."

'INTRANSIGENTE'. O Ministério da Gestão enviou um e-mail aos sindicatos grevistas na qual afirma que já apresentou sua proposta final e que a reunião marcada para amanhã não servirá para uma nova rodada de negociações. O objetivo da pasta é utilizar a reunião apenas para assinar um acordo com a categoria.

"Para nós, é super intransigente a posição do governo de decretar, de forma unilateral, o esgotamento do processo de negociação", declarou Susana Maia, do Comando Nacional de Greve do Sindicato Nacional dos Docentes de Ensino Superior (Andes) em coletiva na sexta-feira.

TÉCNICOS. Além dos professores, os técnicos-administrativos também estão em greve. A proposta do governo para eles é de reajuste de 9% em janeiro de 2025 e de 5% em abril de 2026, além do aumento do auxílio-alimentação para R$ 1.000, o que também vale para os docentes. A federação de sindicatos que representa a categoria ainda estuda uma contraproposta.

Lula inaugurou ontem em Guarulhos o trevo Jacu-Pêssego na rodovia Presidente Dutra e a liberação da nova marginal na pista sul da via no sentido São Paulo, entre os quilômetros 209 e 211, o que abrange a região do trevo de Bonsucesso.

O petista estava acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e dos ministros dos Transportes, Renan Filho (MDB), de Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT), e do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira (PT).

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) não participou da cerimônia.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou o atual ocupante do cargo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pela postura adotada diante do conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas. Durante evento em Guarulhos no sábado, 25, o petista pediu solidariedade às mulheres e crianças "que estão morrendo na Palestina por conta da irresponsabilidade do governo de Israel". "A gente não pode se calar diante das aberrações. A gente não pode deixar de ser solidário porque amanhã a gente vai precisar de solidariedade", discursou o presidente da República.

A fala de Lula ocorreu no mesmo dia em que Israel voltou a bombardear a cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, mesmo com determinação da Corte de Haia que pedia o fim dos ataques na região, e um dia após o Exército israelense encontrar o corpo do brasileiro Michel Nisenbaum, que foi assassinado no sul do País pelo Hamas e teve o corpo levado para a Faixa de Gaza. Natural de Niterói (RJ), ele tinha 59 anos e deixa duas filhas e seis netos.

Em suas redes, Bolsonaro acusou Lula de ser "amigo" do grupo terrorista Hamas e questionou o empenho dele em libertar o brasileiro capturado. "O Hamas executou o refém brasileiro e Lula, mais uma vez, não foi ouvido (se é que ele se empenhou) pelos seus amigos terroristas", escreveu o ex-presidente na rede social X (antigo Twitter).

No discurso em Guarulhos, Lula não mencionou a morte de Nisenbaum, mas já havia lamentado o ocorrido com o brasileiro nas redes sociais na sexta-feira, quando a notícia foi divulgada por Israel. "Soube, com imensa tristeza, da morte de Michel Nisembaum, brasileiro mantido refém pelo Hamas. Conheci sua irmã e filha, e sei do amor imenso que sua família tinha por ele. Minha solidariedade aos familiares e amigos de Michel", escreveu o chefe do Executivo, também no X.

"O Brasil continuará lutando, e seguiremos engajados nos esforços para que todos os reféns sejam libertados, para que tenhamos um cessar-fogo e a paz para os povos de Israel e da Palestina", acrescentou o petista.

Brasil e Israel vivem uma crise diplomática desde que o presidente brasileiro comparou as ações do governo israelense na Faixa de Gaza ao genocídio perpetrado por Adolf Hitler que exterminou milhões de judeus. A postura de Lula é criticada pela oposição e por parte da comunidade judaica, que vê condescendência com o Hamas e falta de veemência nas críticas do presidente à organização terrorista.

Ainda nas redes sociais, Bolsonaro comparou o caso de Nisenbaum com o sequestro da senadora colombiana Ingrid Betancourt pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em 2002. "Os narcoterroristas também ignoraram Lula", disse o ex-presidente, relacionando a organização ao Foro de São Paulo (FSP), formado por partidos de esquerda da América Latina.

As Farc deixaram de existir em 2016 e nunca participaram oficialmente do FSP. Contudo, o ex-grupo guerrilheiro fechou um acordo de paz naquele ano e se tornou um partido legal na Colômbia. O Comune, nome da adotado pela legenda, integra o Foro de São Paulo.

A Prefeitura de São Paulo recusou emendas das deputadas Tabata Amaral (PSB) e Erika Hilton (PSOL), aliada de Guilherme Boulos (PSOL), para construir quatro Centros de Atenção Psicossocial (Caps) em projetos que ela própria cadastrou no Programa de Aceleração do Crescimento Seleções (PAC Seleções). Tabata e Boulos são pré-candidatos à Prefeitura e adversários do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que busca um novo mandato.

Procurada, a Prefeitura disse ao Estadão que preferiu priorizar a construção de Unidades Básicas de Saúde (UBS), mas mudou a justificativa apresentada a Tabata ao recusar os recursos. No total, as emendas das duas parlamentares somam R$ 10 milhões.

Ao rejeitar a emenda, a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo (SMS) havia informado ao gabinete da deputada do PSB que não tinha a titularidade dos terrenos onde as obras seriam realizadas e que o dinheiro destinado pelas parlamentares era insuficiente para bancar as construções.

Contudo, as áreas onde os Caps seriam construídos foram definidas pela própria Secretaria de Saúde. Já o valor das obras é tabelado pelo Ministério da Saúde.

Para Erika Hilton, a pasta disse que o terreno tem um "declive acentuado", o que impossibilitaria a construção. A parlamentar do PSOL remanejou então a emenda para o Rio Grande do Sul, devastado pelas chuvas e enchentes que assolam o Estado.

RESPOSTA. Em nota ao Estadão, porém, a Secretaria de Saúde disse que as emendas "não são suficientes nem para começar as obras", mas não detalhou quanto as ações custariam. "Para as Unidades Básicas de Saúde (UBS), o PAC ofereceu 50%, e a SMS optou por priorizar a construção de novas UBSs por se tratar de uma prioridade da população e porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS)", acrescentou a pasta. O porcentual é referente à parcela que seria custeada com recursos do PAC. Pela tabela, uma UBS pode custar de R$ 2 milhões a R$ 6,5 milhões, a depender do modelo.

A secretaria também afirmou que a Prefeitura é dona dos terrenos, mas não explicou o motivo de ter dito o oposto ao gabinete de Tabata, que indicou R$ 2,5 milhões para a construção de uma sede do Caps Álcool e Outras Drogas (AD) de Ermelino Matarazzo e mais R$ 2,5 milhões para prédio do Caps AD do Jardim Nélia, ambos na zona leste.

PERIFERIA. "É lastimável e completamente antirrepublicano o prefeito se apequenar a ponto de recusar recursos que seriam tão importantes para as periferias de São Paulo. Esse cálculo político mesquinho só demonstra que ele não pensa na população, apenas na eleição", disse Tabata. A deputada Erika Hilton, por sua vez, afirmou que o prefeito Ricardo Nunes recusou o recebimento de milhões de reais em emendas das parlamentares por "pura questão ideológica".

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.