'Casa da morte', no Rio, vai virar memorial de crimes da ditadura militar

Política
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A Casa da Morte de Petrópolis, no Rio, vai ser transformada no Memorial de Liberdade, Verdade e Justiça. O imóvel era usado como aparelho clandestino pela ditadura militar para torturar e matar adversários políticos durante os anos 1970. O objetivo da ação, anunciada nesta quinta-feira, 1º, pelo governo federal, é preservar a história daquele local para que os crimes cometidos no espaço não sejam esquecidos nem voltem a ocorrer.

Por meio de um convênio entre o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e a Prefeitura de Petrópolis, os recursos públicos serão transferidos para o pagamento da indenização pela desapropriação do imóvel e futura transformação no memorial. Ao Estadão, a pasta informou que ainda não há valor total definido a serem repassados via convênio nem previsão para que isso ocorra.

O governo formalizou a ajuda em um ofício enviado à prefeitura da cidade serrana no último dia 19. O processo de desapropriação foi iniciado no dia 22, na 4ª Vara Cível da Comarca da região.

O lugar foi usado pelo Exército como um dos principais centros clandestinos de graves violações dos direitos humanos, onde pelo menos 22 pessoas foram mortas ou não resistiram às longas sessões de tortura as quais eram submetidas.

Uma única presa política sobreviveu à Casa para contar a história. Inês Etienne Romeu, falecida em 2015, contou em depoimento à Comissão Nacional da Verdade (CNV) que sofreu tortura, estupro e humilhação dos militares entre maio e agosto de 1971, período em que ficou presa no centro de tortura, com 29 anos de idade na época.

O ministério seguiu sugestão do Ministério Público Federal (MPF) e fez o convite à Universidade Federal Fluminense (UFF) para assumir a gestão do futuro memorial.

A residência já é tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), o que garante que as características do imóvel sejam preservadas. O impasse com os proprietários do imóvel ocorre desde 2012, quando o local foi identificado pela CVN.

Neste ano, o golpe que instaurou a ditadura militar no Brasil completa 60 anos. Debates, exposições, lançamento de livros e um documentário são programados pelo PT e pela Fundação Perseu Abramo, ligada ao partido, para marcar a data, como mostrou o Estadão.

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Donald Trump está usando uma campanha de arrecadação de fundos na mansão de um bilionário para mostrar seu apoio entre os republicanos megarricos, arrecadando cerca de US$ 50 milhões neste sábado (6). Mas o seu maior doador em 2020 ainda não contribuiu.

Miriam Adelson - que com seu falecido marido, Sheldon Adelson, foram os maiores doadores para o esforço de Trump em 2020, com US$ 90 milhões em contribuições - ainda não contribuiu para a candidatura de Trump para 2024. Ela está entre um número cada vez menor de grandes nomes resistentes, que também incluem o CEO da Blackstone, Stephen Schwarzman, e Paul Singer, da Elliott Management.

A arrecadação de Trump neste sábado seria quase o dobro do que o democrata Joe Biden arrecadou recentemente em um único evento. Trump se gabou de ter superado o número de arrecadação de fundos de Biden. "As pessoas estão desesperadas por mudanças", disse ele em uma postagem nas redes sociais.

Cada vez mais, Trump corteja a classe dos megadoadores, incluindo Adelson, que é uma das mulheres mais ricas do mundo. Ela é a acionista controladora do gigante dos cassinos criado por seu marido, Las Vegas Sands. O ex-presidente fala com ela regularmente e os dois jantaram duas vezes nos últimos dois meses, em Las Vegas e no complexo de Trump em Mar-a-Lago, em Palm Beach.

Espera-se que Adelson eventualmente contribua, de acordo com várias pessoas próximas a ela ou à rede de arrecadação de fundos de Trump. Um porta-voz de Adelson não quis comentar.

Não está claro como Miriam Adelson vê os comentários críticos de Trump sobre o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e a sua gestão da guerra do país com o Hamas. Trump disse que a guerra precisa "terminar" ou Israel perderá posição no mundo - comentários que Trump fez aos jornalistas de um jornal de propriedade de Adelson. Nascida em Israel, Adelson é uma forte defensora de sua terra natal.

Mas uma pessoa próxima a ela diz que ela não recebeu os comentários muito bem. Essa pessoa acrescentou que Adelson "será sensível a qualquer coisa que pareça comprometer a posição de segurança de Israel".

O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota, há pouco, condenando a invasão da embaixada mexicana no Equador pela polícia daquele país. "O governo brasileiro condena, nos mais firmes termos, a ação empreendida por forças policiais equatorianas na Embaixada mexicana em Quito na noite de ontem, 5 de abril", diz a nota.

De acordo com o Itamaraty, a ação representa uma "clara violação" à Convenção Americana sobre Asilo Diplomático e à Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. A convenção determina que as embaixadas são invioláveis e só podem ser acessadas com consentimento do chefe da missão diplomática.

"A medida levada a cabo pelo governo equatoriano constitui grave precedente, cabendo ser objeto de enérgico repúdio, qualquer que seja a justificativa para sua realização", critica o governo brasileiro.

O México anunciou nesta sexta-feira, 5, o "rompimento imediato" das relações diplomáticas com o Equador depois que a polícia equatoriana invadiu a embaixada mexicana em Quito para prender o ex-vice-presidente Jorge Glas, que havia recebido asilo político.

Em uma mensagem na rede social X (antigo Twitter), o presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador descreveu o incidente como uma "violação flagrante do direito internacional e da soberania do México".

A ativista climática Greta Thunberg foi detida na manhã deste sábado pela polícia holandesa na cidade de Haia, após participar de uma manifestação que bloqueou parcialmente uma rodovia da região.

Thunberg foi vista fazendo um sinal de vitória enquanto estava sentada em um carro usado pela polícia para retirar os manifestantes, que protestavam contra os subsídios holandeses e incentivos fiscais a empresas ligadas às indústrias de combustíveis fósseis.

Os manifestantes agitavam bandeiras e gritavam: "Somos imparáveis, outro mundo é possível". Um deles segurava uma faixa que dizia: "Esta é uma rua sem saída".