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Democratas exigiram que os agentes federais de imigração deixem Minnesota depois de um agente da Patrulha de Fronteira dos EUA matar a tiros um homem em Minneapolis, desencadeando confrontos com manifestantes que tomaram as ruas da cidade, já abalada pela morte de uma mulher por um agente de imigração no último dia 7.
O tiroteio mais recente também desencadeou uma batalha judicial pelo controle da investigação.
Autoridades federais afirmam que agentes atiraram em legítima defesa na manhã de sábado, 24, quando Alex Pretti, um enfermeiro de UTI de 37 anos, interveio em uma discussão entre um agente de imigração e uma mulher na rua. As autoridades dizem que Pretti estava armado, mas nenhum vídeo gravado por testemunhas mostra ele portando uma arma. O chefe de polícia de Minneapolis afirmou que Pretti tinha porte de arma.
A família de Pretti disse estar "com o coração partido, mas também muito revoltada" com as autoridades, afirmando em um comunicado que ele era uma alma bondosa que queria fazer a diferença no mundo.
Um juiz federal já emitiu uma ordem impedindo o governo Trump de "destruir ou alterar provas" relacionadas ao tiroteio, após autoridades estaduais e municipais entrarem com uma ação judicial.
O procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, afirmou que o processo judicial apresentado no sábado, 24, visa preservar as provas coletadas por autoridades federais que as autoridades estaduais ainda não puderam examinar.
Segundo Ellison, a investigação tem de ser "completa, imparcial e transparente". Uma audiência está marcada para segunda-feira, 26, no tribunal federal de St. Paul.
A Guarda Nacional de Minnesota estava auxiliando a polícia local sob as ordens do governador Tim Walz, disseram autoridades, com tropas enviadas tanto para o local do tiroteio quanto para um prédio federal onde policiais têm se confrontado diariamente com manifestantes.
A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou em uma coletiva de imprensa que Pretti apareceu para "impedir uma operação policial". Ela questionou por que ele estava armado, mas não ofereceu detalhes sobre se Pretti sacou a arma ou a exibiu para os policiais.
Mas grupos defensores do direito ao porte de armas observaram que é legal portar armas de fogo durante protestos.
"Todo cidadão pacífico de Minnesota tem o direito de possuir e portar armas - inclusive ao participar de protestos, atuar como observador ou exercer seus direitos da Primeira Emenda", afirmou o Grupo de Proprietários de Armas de Minnesota em um comunicado. "Esses direitos não desaparecem quando alguém está legalmente armado."
Trump culpa os democratas
O presidente se manifestou nas redes sociais, criticando duramente Walz e o prefeito de Minneapolis.
Ele compartilhou imagens da arma que, segundo as autoridades de imigração, foi recuperada e disse: "O que é isso? Onde está a polícia local? Por que não permitiram que eles protegessem os agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA)?"
Trump afirmou que o governador e o prefeito democratas estão "incitando a insurreição com sua retórica pomposa, perigosa e arrogante".
A deputada Alexandria Ocasio-Cortez, de Nova York, estava entre os vários parlamentares democratas que exigiram a saída das autoridades federais de imigração de Minnesota. Ela também instou os democratas a se recusarem a votar a favor do financiamento do ICE, afirmando nas redes sociais: "Temos a responsabilidade de proteger os americanos da tirania".
O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou posteriormente que os democratas não votarão a favor de um pacote de gastos que inclua verbas para o Departamento de Segurança Interna (DHS), responsável pela supervisão do ICE. A declaração de Schumer aumenta a possibilidade de uma paralisação parcial do governo em 30 de janeiro, quando os fundos se esgotarem.
Pretti foi baleado a pouco mais de 1,5 km do local onde um agente do ICE matou Renee Good, de 37 anos, em 7 de janeiro, o que desencadeou protestos generalizados.
A família de Pretti ficou furiosa com a descrição do tiroteio dada pelas autoridades federais.
"As mentiras repugnantes contadas sobre nosso filho pelo governo são repreensíveis e nojentas. Alex claramente não estava armado quando foi atacado pelos capangas covardes e assassinos do ICE de Trump. Ele estava com o celular na mão direita e a mão esquerda, vazia, erguida acima da cabeça enquanto tentava proteger a mulher que o ICE acabara de empurrar, tudo isso enquanto era atingido por spray de pimenta", dizia o comunicado da família. "Por favor, divulguem a verdade sobre nosso filho. Ele era um bom homem."
Vídeo mostra policiais e homem baleado
Vídeos gravados por espectadores mostram manifestantes soprando apitos e gritando palavrões contra agentes federais em uma rua comercial no sul de Minneapolis.
Os vídeos mostram Pretti intervindo depois que um agente de imigração empurra uma mulher. Pretti parece estar apontando o celular para o agente, mas não há indícios de que ele esteja portando uma arma.
O policial empurra Pretti no peito e usa spray de pimenta contra ele e a mulher.
Em pouco tempo, pelo menos sete policiais estão imobilizando Pretti no chão. Vários policiais tentam colocar os braços do homem atrás das costas enquanto ele parece resistir. Um policial que segura uma lata de spray de pimenta o atinge várias vezes perto da cabeça.
Um tiro é disparado, mas com policiais cercando o homem, não fica claro de onde veio. Vários policiais recuam. Mais tiros são ouvidos. Os policiais se afastam e o homem fica imóvel na rua.
Gregory Bovino, o comandante da Patrulha da Fronteira que lidera a repressão de Trump, foi repetidamente pressionado no programa "State of the Union", da CNN, para apresentar provas de que Pretti fez algo ilegal ou agrediu agentes da lei, como alegaram as autoridades.
Ele afirmou que era "muito evidente" que Pretti não estava seguindo as ordens dos policiais.
"É uma pena que ele tenha sofrido as consequências por ter se intrometido na cena do crime", disse. "A decisão foi dele."
Walz afirmou não ter confiança nas autoridades federais e que o Estado lideraria a investigação sobre o tiroteio.
Drew Evans, superintendente do Departamento de Investigação Criminal de Minnesota, afirmou em uma coletiva de imprensa que agentes federais impediram o acesso de sua agência ao local, mesmo após a obtenção de um mandado judicial assinado.
Protestos continuam
Manifestações eclodiram em diversas cidades do país, incluindo Nova York, Washington e Los Angeles.
Em Minneapolis, manifestantes se reuniram no local do tiroteio, apesar do frio intenso, com temperaturas em torno de -21 ºC graus Celsius.
Uma multidão enfurecida se reuniu após o tiroteio e gritou palavrões contra os agentes federais, chamando-os de "covardes" e mandando-os para casa. Os manifestantes arrastaram latas de lixo de becos para bloquear ruas, e as pessoas gritavam "ICE fora agora" e "Observar o ICE não é crime".
Ao cair da noite, centenas de pessoas lamentaram em silêncio junto a um memorial que crescia no local do tiroteio. Uma loja de donuts e uma loja de roupas próximas permaneceram abertas, oferecendo aos manifestantes um lugar aquecido, além de água, café e lanches.
Caleb Spike, que participava do ato, contou que queria demonstrar seu apoio e sua frustração. "Parece que a cada dia acontece algo mais absurdo", disse ele. "O que está acontecendo em nossa comunidade é errado, é repugnante, é nojento."
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