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Futuro premiê da Holanda diz que ambições de Trump na Groenlândia são 'alerta' para a Europa

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O líder político que deve assumir o cargo de primeiro-ministro da Holanda afirmou nesta sexta-feira, 30, que as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Groenlândia funcionam como um "alerta" para a Europa em um momento de instabilidade geopolítica.

Líder do partido de centro Democratas 66 (D66), Rob Jetten defendeu o fortalecimento da cooperação entre países europeus como forma de garantir segurança e prosperidade, reduzindo a dependência dos Estados Unidos.

"Podemos continuar falando e reclamando dos EUA, mas o que devemos fazer é garantir que a cooperação europeia seja fortalecida, que possamos garantir segurança e prosperidade para nossos próprios cidadãos", afirmou em entrevista à Associated Press.

Jetten disse que, ao assumir o cargo, pretende priorizar conversas com líderes europeus para discutir o papel da Holanda no reforço da integração do bloco. Ainda assim, ressaltou que não pretende romper com Washington. Segundo ele, a cooperação com os Estados Unidos seguirá especialmente nas áreas de segurança, na guerra da Ucrânia e no campo econômico, dada a forte interligação entre as duas economias.

As declarações ocorrem em meio às reiteradas afirmações de Trump de que os EUA "precisam" da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, que é membro da Otan, para conter ameaças da Rússia e da China.

Na semana passada, o presidente americano chegou a ameaçar impor tarifas a países europeus - incluindo a Holanda - como forma de pressionar por maior influência dos EUA sobre a ilha, mas recuou da medida.

Jetten falou após a apresentação, em Haia, de um plano de governo elaborado por seu partido e outras duas legendas que devem formar uma coalizão minoritária. O documento prevê bilhões de euros em investimentos nas Forças Armadas holandesas e a manutenção do apoio à Ucrânia na guerra contra a Rússia.

A coalizão reúne o D66, os Democratas Cristãos e o Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD), mas soma apenas 66 das 150 cadeiras da Câmara dos Deputados da Holanda, o que exigirá negociações caso a caso para aprovar novas leis. O Parlamento holandês é fragmentado, com 16 partidos representados.

"A tarefa à nossa frente é enorme, mas a Holanda sempre avançou por meio da colaboração", disse Jetten. "Nossa história mostra que o progresso não é alcançado sozinho, mas construído em conjunto."

Aos 38 anos, ele deve se tornar o primeiro-ministro mais jovem da história do país e o primeiro assumidamente gay a ocupar o cargo. A posse, conduzida pelo rei Willem-Alexander, está prevista para o fim de fevereiro.

*Com informações da Associated Press.

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