A CVC Corp registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 63,1 milhões no primeiro trimestre de 2026, ante lucro ajustado de R$ 24 milhões em igual período do ano anterior. Segundo a companhia, a piora do resultado refletiu os impactos do cenário geopolítico mais instável sobre a demanda internacional por viagens, além da pressão das despesas financeiras no período.
O Ebitda ajustado da companhia somou R$ 93,7 milhões no trimestre, queda de 10,5% na comparação anual. A margem Ebitda ajustada recuou 3,2 pontos porcentuais, para 25,7%. Já a receita líquida avançou 0,8%, para R$ 365,1 milhões.
A companhia afirmou que o agravamento dos conflitos no Oriente Médio afetou importantes rotas e conexões internacionais, elevando cancelamentos e remarcações de viagens para destinos da Ásia, Oriente Médio e Oceania.
Além disso, a alta do querosene de aviação pressionou tarifas aéreas, a oferta de assentos e o consumo de viagens no período.
As reservas confirmadas cresceram 3,8% no trimestre, para R$ 4,28 bilhões, enquanto as reservas consumidas avançaram 5,6%, para R$ 4,39 bilhões. No Brasil, as reservas confirmadas subiram 8,1%, impulsionadas principalmente pelo avanço do segmento B2B, que cresceu 12,1% no período.
Segundo a companhia, a operação brasileira conseguiu compensar parte do cenário adverso com maior venda de destinos alternativos nas Américas, como Santiago, Buenos Aires e Punta Cana. A CVC também afirmou que mudanças em requisitos migratórios ajudaram Cancun a ganhar participação nas vendas.
Resultado financeiro
O resultado financeiro da companhia ficou negativo em R$ 80,7 milhões no trimestre, piora de 52% em relação a igual período do ano anterior. A empresa atribuiu o desempenho principalmente ao aumento dos gastos com antecipação de recebíveis, maiores despesas bancárias e redução dos ganhos cambiais na Argentina.
As despesas com juros sobre antecipação de recebíveis cresceram R$ 4,9 milhões na comparação anual, refletindo a elevação da taxa de juros e o maior volume antecipado. Já as despesas relacionadas ao IOF aumentaram R$ 1,4 milhão, impactadas principalmente pela alta da alíquota sobre pagamentos a fornecedores estrangeiros.
Além disso, a linha de outras receitas financeiras teve piora de R$ 20,4 milhões, principalmente pela redução dos ganhos cambiais na conversão de dólar para pesos argentinos após mudanças nas políticas cambiais do país.
Caixa e dívida
A dívida líquida da CVC encerrou março em R$ 241,8 milhões, aumento de R$ 140 milhões em relação ao quarto trimestre de 2025, refletindo o consumo de caixa no período. A alavancagem financeira subiu de 0,2 vez para 0,5 vez dívida líquida/Ebitda nos últimos 12 meses.
O fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 167,8 milhões no trimestre, piora de R$ 94,2 milhões na comparação anual. Segundo a companhia, o desempenho foi impactado principalmente pelo aumento dos adiantamentos a fornecedores diante da alta das tarifas aéreas.
Os investimentos somaram R$ 46,3 milhões no trimestre, mais que o dobro do registrado um ano antes. Segundo a companhia, os recursos foram direcionados à aquisição de tecnologias para novas frentes de crescimento digital, incluindo projetos de inteligência artificial aplicada ao turismo.
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