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O grande desafio da humanidade neste século será a gestão da oferta de energia, diz palestrante

Um dos mais robustos sistemas de geração de energia do mundo, o sistema brasileiro tem enfrentado desafios crescentes devido ao aumento das fontes intermitentes (eólica e solar). "Todo o crescimento é de energia solar, maior parte em geração distribuída. Tudo isso muda fortemente a operação do sistema nacional", afirmou Sumara Ticom durante o painel sobre essa questão na São Paulo Innovation Week (SPIW), maior festival global de tecnologia e inovação, realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, nesta quarta-feira, 13.

Ticom, que é assessora executiva do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), aponta que uma das medidas são os contínuos cortes realizados pelo operador ao longo do dia, o chamado curtailment, para equilibrar o fornecimento. "Aí falta potência para entregar energia à noite aos consumidores. Mas é uma medida de segurança, se não o fizermos, estaremos sujeitos a riscos de blecautes no País", afirma.

Francisco Galvão, vice-presidente sênior de operações da Elera Renováveis, uma companhia com parque gerador solar e eólico de 3,5 gigawatts (GW), disse entender o que o ONS vem fazendo, mas disse que geradoras como a sua empresa sofrem cortes da ordem de 25% a 30% neste ano. "É uma grande frustração de receita que sofremos."

O executivo disse que aguarda o leilão para armazenamento de energia em baterias, do governo federal, para o curto, médio e longo prazo. "É um caminho natural e estrutural, pois o sistema carece de controles para evitar que o agente (produtor) fique com o risco, até que a solução estruturante não venha."

"O grande desafio da humanidade neste século será a gestão da oferta de energia, que tem papel fundamental na descarbonização. O Brasil tem uma vantagem: 92% da matriz é de energia renovável. Mas isso cresceu de forma desordenada enquanto o planejamento foi mais lento", afirmou Wilson Ferreira Júnior, CEO e presidente do conselho da Matrix Energia.

Segundo o empresário, com longa vivência no setor elétrico, tendo presidido várias empresas, há um desafio enorme para garantir a oferta aos consumidores. "Uma solução que o mundo coloca é a bateria, melhor do que fazer a construção de uma termelétrica. Permite ser carregada com energia excedente e ser descarregada no momento certo", disse.

Segundo Ticom, da ONS, o setor elétrico brasileiro é confiável, com mais de décadas com índice de 95%. "O ONS trabalha com seus recursos para evitar as ocorrências, que chegam a 3 mil por ano e a sociedade não sente. "Estamos avançando em soluções". Galvão, da Elera, destacou que houve avanços com a Lei 15.267, de 2025, mas ainda falta agilidade do sistema. Precisamos de uma forma equilibrada nos cortes."

Ferreira Júnior disse ser um otimista e ressaltou que o brasileiro costuma ser muito crítico. "Estamos vivendo o momento da descarbonização no setor elétrico: em transporte, eletrificação de ônibus; nas indústrias, a vinda do hidrogênio verde, e mobilidade elétrica e o consumo por data centers. Temos energia renovável como nenhum país tem."

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira, 13, e sexta, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.

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