O Brasil deu um novo passo para consolidar o afroturismo como instrumento de valorização da cultura negra e de desenvolvimento sustentável. Estão abertas as inscrições para o edital da Rede Memória Viva, iniciativa que vai selecionar quatro territórios em diferentes regiões do país para integrar uma rede nacional voltada ao fortalecimento da memória afro-brasileira, do turismo de base comunitária e da economia da cultura. A seleção faz parte de um projeto inédito que busca transformar patrimônios históricos e culturais em oportunidades de geração de renda para comunidades tradicionais.
As inscrições seguem até 3 de outubro, e os quatro territórios escolhidos serão anunciados em 22 de outubro. Poderão participar quilombos, comunidades tradicionais, museus comunitários, organizações da sociedade civil, centros culturais e outros espaços que preservem a história e os saberes da população negra brasileira. Os selecionados passarão por um processo de desenvolvimento institucional que inclui capacitação, elaboração de projetos, fortalecimento da gestão local e estratégias para ampliar o turismo de base comunitária.
A iniciativa integra as ações do Consórcio Viva Pequena África, formado pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap), pela Diáspora.Black e pela Feira Preta. O objetivo é criar uma rede colaborativa capaz de dar maior visibilidade a territórios que preservam manifestações culturais, religiosidade, gastronomia, tradições e memórias ligadas à ancestralidade africana, promovendo o intercâmbio de experiências e ampliando o potencial turístico dessas localidades.
O lançamento da Rede Memória Viva ocorre em um momento de expansão do afroturismo no Brasil. Nos últimos anos, roteiros ligados à cultura afro-brasileira ganharam espaço em estados como Bahia, Alagoas, Pernambuco, Maranhão e Rio de Janeiro, atraindo visitantes interessados em conhecer comunidades quilombolas, centros históricos, manifestações religiosas e experiências gastronômicas que valorizam a herança africana. Especialistas apontam que esse modelo de turismo fortalece o sentimento de pertencimento, preserva patrimônios imateriais e amplia a participação econômica das próprias comunidades envolvidas.
Além de impulsionar o turismo, o projeto pretende contribuir para o reconhecimento da diversidade cultural brasileira e para a inclusão de territórios historicamente invisibilizados nas políticas públicas do setor. A expectativa dos organizadores é que a rede nacional funcione como uma plataforma permanente de apoio às iniciativas locais, estimulando novos roteiros, parcerias e investimentos voltados à valorização da memória afro-brasileira e ao desenvolvimento regional.
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