A Americanas reduziu em 92,5% o prejuízo no quarto trimestre de 2025, para R$ 44 milhões, em mais um avanço no processo de recuperação operacional, sustentado por corte de custos e reestruturação do modelo de negócios, agora mais concentrado nas lojas físicas.
O Ebitda ajustado contabilizou R$ 276 milhões no mesmo período, alta de 1,9% na comparação anual, enquanto a receita líquida caiu 3,8%, para R$ 3,6 bilhões, refletindo a retração do digital.
O volume bruto de mercadorias (GMV) somou R$ 5,1 bilhões no final de dezembro, queda de 5,6% na comparação anual, pressionado principalmente pela retração de 68,9% no canal digital, que totalizou R$ 261 milhões, parcialmente compensada pelo avanço de 6,4% nas lojas físicas, que somaram R$ 4,8 bilhões.
Segundo o presidente da Americanas, Fernando Soares, a melhora dos resultados está ligada à reformulação da estratégia, com foco no consumidor e na integração entre canais. "Reprogramamos o digital. Ele deixou de ser um e-commerce independente e passou a servir a loja, com entrega a partir das unidades e retirada em loja", afirmou em entrevista à Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado).
A varejista vem priorizando o canal físico, que concentrou a maior parte das vendas ao longo do ano, apoiada por uma rede de cerca de 1.500 lojas no País e uma base de cerca de 50 milhões de consumidores mensais. Nesse contexto, o digital passa a atuar como complemento da jornada, com iniciativas como retirada em loja e uso das unidades como ponto de distribuição.
A melhora do desempenho, ainda segundo Soares, foi puxada principalmente pela redução de despesas, em meio à reformulação do negócio e a iniciativas de ganho de eficiência.
De acordo com o diretor Financeiro da companhia (CFO), Sebastien Durchon, a reestruturação levou à eliminação de custos associados ao antigo modelo digital, além de ajustes operacionais e administrativos. "A reformatação da empresa gerou uma redução da receita, mas também da despesa", disse.
As despesas gerais e administrativas somaram R$ 902 milhões no trimestre e R$ 3,3 bilhões em 2025, com quedas de 30,7% e 18,1% na comparação anual, respectivamente.
No acumulado de 2025, a Americanas registrou prejuízo de R$ 271 milhões, ante lucro de R$ 8,3 bilhões em 2024, impactado por efeitos extraordinários relacionados à recuperação judicial.
A receita líquida somou R$ 12,3 bilhões no ano, queda de 1,2% na comparação anual, enquanto o Ebitda ajustado avançou 11,6%, para R$ 1,1 bilhão.
Segundo Durchon, o resultado do ano anterior foi impulsionado por ganhos contábeis associados à reestruturação da dívida. Desconsiderando esses efeitos e as operações descontinuadas, a empresa apurou lucro de R$ 98 milhões nas operações continuadas, indicando melhora na performance operacional. "O resultado vem melhorando ano após ano, tanto no Ebitda quanto no lucro líquido", afirmou o CFO.
Reconstrução da base
Para 2026, a Americanas deve manter o foco na execução da estratégia atual, com avanço na eficiência operacional e monetização da base de consumidores, após o processo de reestruturação.
A companhia aposta em datas sazonais, como a Páscoa, para acelerar a captura de resultados do novo modelo, em um momento em que busca consolidar a retomada após a crise. "Estamos prontos para potencializar o que construímos como base", disse o CFO. Ele destacou ainda que a companhia passou por uma transformação que vai além dos números, com foco na reconstrução das relações com clientes, fornecedores e colaboradores.
Hoje a Americanas é uma empresa mais próxima de associados, consumidores e fornecedores. Essa história foi construída com o time e com apoio da indústria", destacou Soares.
0 Comentário(s)