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Após uma sequência de sete sessões de queda nos juros futuros, a pressão vinda do exterior interrompeu o rali das taxas, que ainda acumulam, no entanto, redução importante nos prêmios de risco na semana e no primeiro mês do ano.
Nesta sexta-feira, 30, dados de inflação ao produtor dos Estados Unidos acima do previsto e a indicação de Kevin Warsh, ex-dirigente do Federal Reserve, para comandar o BC americano provocaram inclinação da curva dos Treasuries na abertura dos negócios, o que se refletiu no mercado de renda fixa local.
Por volta das 15h30, os DIs responderam ao ganho de impulso do dólar à vista, que renovou máxima ante o real. Do lado doméstico, o novo recorde de baixa da taxa de desemprego em dezembro veio em linha com as expectativas, figurando como um fator secundário para a discreta elevação dos DIs na sessão - que, para agentes, representou mais uma realização de lucros depois do recuo generalizado na semana e ao longo de janeiro.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou de 13,473% no ajuste de quinta para 13,485%. O DI para janeiro de 2029 avançou de 12,684% no ajuste anterior a 12,725%. O DI para janeiro de 2031 anotou alta a 13,095%, vindo de 13,044% no ajuste.
Estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi avalia que a elevação dos vértices intermediários e longos na sessão desta sexta ocorreu provavelmente em resposta ao movimento dos Treasuries, após uma leitura de inflação ao produtor acima do projetado, contrabalançada pelas reações positivas à nomeação de Warsh para a presidência do Fed.
A indicação do presidente Donald Trump, que ainda precisa passar pelo crivo do Senado americano, foi vista de forma geral pelos agentes como uma boa escolha, de credibilidade institucional, diz Zobgi. "Ele defende cortes de juros, mas é conhecido por ter historicamente uma postura hawkish, o que diminui a visão de risco de captura política total do banco central", disse.
O anúncio de Warsh deu suporte, inclusive, ao fortalecimento global do dólar, uma vez que dentre as opções consideradas por Trump, o ex-diretor é tido com o mais duro em relação à condução da política monetária, observa Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset. "Na parte da tarde, foi essa puxada do dólar que elevou o DI. O anúncio do nome do próximo presidente do Fed ajudou nesse sentido", apontou.
Diante do fechamento significativo da curva de juros futuros esta semana e no mês, a elevação não "é nada demais", destaca o estrategista de investimentos do Santander João Freitas. Em relação ao fechamento da última sexta-feira, o DI para janeiro de 2027 cedeu 21 pontos-base. O vértice de janeiro de 2029 caiu 30 pontos-base, e o de janeiro de 2031, 25 pontos-base.
No saldo de janeiro, a curva a termo também perdeu inclinação, com redução de 31 pontos-base no vencimento do primeiro mês de 2027. Nas taxas de janeiro de 2029 e 2031, o recuo mensal foi de 45 pontos-base e 35 pontos-base pela ordem.
"O Brasil se beneficiou bastante do modo 'risk on' do mercado no mundo todo. O fluxo de capital está forte, e o real e o Ibovespa se destacaram no mês", afirma Freitas, acrescentando também que, nos leilões do Tesouro, investidores não residentes foram os principais compradores de LFT e LTN. O quadro benigno para os ativos de risco do País, em sua visão, deve perdurar. "O Brasil está muito bem posicionado e se destaca do ponto de vista de um diferencial de juros atrativo".
Em relação à alta nas taxas desta sexta, o cenário externo foi o principal vetor, mais do que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, diz o estrategista do Santander. Divulgado na abertura do mercado, o levantamento mostrou que a taxa de desemprego caiu a 5,1% no trimestre móvel encerrado em dezembro, exatamente o que previa a mediana dos analistas consultados pelo Projeções Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Esta é a menor taxa da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012.
Com maior potencial de movimentar a curva, o mercado aguarda a ata do Comitê de Política Monetária (Copom). A ser publicado na próxima terça-feira, o documento pode dar indicações que reforcem confiança no corte de juros em março. Segundo cálculos de Flávio Serrano, economista-chefe do banco Bmg, a curva futura apontava no fim da tarde 68% de probabilidade de redução de 0,5 ponto da Selic na próxima reunião do colegiado.
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