Parece boa notícia: a humanidade está vivendo mais do que nunca. Mas um relatório recém-lançado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) traz um dado que faz pensar duas vezes — e que tem gerado bastante discussão no mundo da saúde pública.
A geração atual vive mais tempo, mas frequentemente o faz convivendo com múltiplas doenças crônicas ao mesmo tempo. Doenças cardíacas, câncer, diabetes e doenças pulmonares crônicas afetam hoje milhões de pessoas a mais do que na geração anterior — e a tendência é piorar.
Os números que assustam
Entre 1990 e 2023, a prevalência de câncer cresceu 36% e a de doença pulmonar obstrutiva crônica avançou 49%, enquanto as doenças cardiovasculares subiram mais de 27%. Em 2023, uma em cada dez pessoas nos países da OCDE tinha diabetes, e uma em cada oito vivia com doença cardiovascular.
E o futuro preocupa: mesmo que os fatores de risco e as taxas de sobrevivência permaneçam constantes, o número de novos casos de doenças crônicas deverá crescer 31% entre 2026 e 2050 — apenas pelo envelhecimento da população.
Há ainda uma projeção ainda mais impactante: a prevalência de multimorbidade — quando a pessoa convive com duas ou mais doenças crônicas simultaneamente — deve aumentar 75% na OCDE, e os gastos per capita com saúde relacionados a essas doenças devem crescer mais de 50%.
Mas existe um lado positivo (e importante!)
O relatório deixa claro que grande parte desses impactos é evitável, por meio de prevenção, diagnóstico precoce e melhoria nos tratamentos. Países que conseguem reduzir fatores de risco como obesidade e tabagismo não apenas salvam vidas — também aliviam enormemente a pressão sobre os orçamentos da saúde pública.
O paradoxo é curioso e inquietante: o mesmo avanço da medicina que nos permite sobreviver a doenças que antes eram fatais também nos mantém vivos por mais tempo com essas doenças. O desafio agora não é só viver mais — é viver bem.
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