Um novo estudo publicado por pesquisadores da Unicamp, USP e universidades internacionais revelou que o vírus Oropouche já está presente em todos os estados brasileiros e pode ter causado cerca de 5,5 milhões de infecções no país nas últimas décadas. A pesquisa, divulgada nesta semana nas revistas científicas Nature Medicine e Nature Health, acendeu um alerta entre especialistas em saúde pública.
Transmitido principalmente pelo mosquito conhecido como maruim ou “mosquito-pólvora”, o Oropouche vem chamando atenção pelo avanço silencioso em áreas urbanas e rurais. Segundo os cientistas, Manaus se tornou um dos principais epicentros da disseminação da doença, impulsionada por fatores como mudanças climáticas, desmatamento e aumento da mobilidade aérea.
O que mais chamou atenção dos pesquisadores foi a velocidade de expansão do vírus. Entre o fim de 2023 e meados de 2024, a porcentagem de pessoas com anticorpos contra o Oropouche praticamente dobrou em algumas regiões amazônicas. Os sintomas incluem febre alta, dores no corpo, calafrios, náuseas e fortes dores de cabeça, muitas vezes confundidos com dengue ou chikungunya.
Especialistas afirmam que o avanço da doença reforça a necessidade de ampliar a vigilância epidemiológica no Brasil, principalmente em áreas com alta umidade e alterações ambientais. O estudo também aponta que muitos casos podem estar sendo subnotificados devido à dificuldade de diagnóstico em regiões remotas.
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