O Parlamento Europeu votou nesta quinta-feira, 26, a favor de facilitar a criação de novos centros de detenção para imigrantes fora da União Europeia, conhecidos como "centros de retorno".
Os eurodeputados aprovaram a medida por 389 votos a 206, com 32 abstenções. Partidos de direita formaram uma aliança com grupos de extrema-direita - que antes rejeitavam - para aprovar a proposta. Já os partidos de esquerda e de centro votaram contra.
Com a decisão, países da UE poderão negociar individualmente ou em pequenos grupos a deportação de imigrantes não para seus países de origem, mas para instalações ainda a serem criadas fora do bloco de 27 nações.
Grécia, Alemanha, Holanda, Áustria e Dinamarca já iniciaram negociações com governos, principalmente na África, para sediar centros de acolhimento de imigrantes que tiveram pedidos de asilo negados.
Partidos de extrema-direita na Europa têm elogiado as políticas migratórias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e defendem que a UE adote uma abordagem semelhante.
Em janeiro, o partido de extrema-direita belga Vlaams Belang e o partido de extrema-direita alemão AfD anunciaram a intenção de formar um grupo policial focado na localização e deportação de imigrantes, semelhante aos esforços realizados nos EUA.
O deputado Charlie Weimers, do partido de direita Democratas Suecos e defensor de políticas migratórias mais rígidas, afirmou que a votação desta quinta-feira marca uma nova era na UE.
"Há um novo consenso na Europa. Começou a era das deportações", disse em publicação nas redes sociais.
Grupos de direitos humanos, no entanto, criticam a medida. Eles afirmam que imigrantes têm sido forçados a retornar ilegalmente às fronteiras da UE e que proteções legais estão sendo enfraquecidas.
A diretora de defesa de direitos da UE para o Comitê Internacional de Resgate, Marta Welander, classificou a votação como "um retrocesso histórico para os direitos dos refugiados".
Ela alertou que isso "abriria caminho para um novo regime punitivo de asilo e migração da UE, concebido para dissuadir, deter e deportar pessoas que buscam segurança". "A UE deveria defender um sistema que proteja vidas, não um que criminalize a sobrevivência", acrescentou.
Já a eurodeputada francesa Mélissa Camara, que votou contra a medida, afirmou que a aprovação só foi possível por conta da aliança entre grupos centristas e a extrema-direita.
"A história lembrará que o chamado grupo de direita moderada soou o toque de finados para o que restava do cordão sanitário", disse Mélissa, acrescentando que os "centros de retorno" são locais distantes da Europa "onde os direitos fundamentais não podem ser monitorados de forma eficaz".(Com informações da Associated Press)
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