A sessão prometia ser mais uma de achatamento da curva de juros até o meio da tarde desta terça, 10, com oscilações contidas dos trechos mais curtos e ajuste para baixo nas taxas de longo prazo.
A dinâmica benigna, que tinha como pano de fundo o ambiente externo mais favorável e um IPCA com composição desfavorável, mas sem novidades em relação às últimas leituras, foi revertida rumo à etapa final dos negócios.
Por volta das 16h10, enquanto o sócio e economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, dava um tom considerado pessimista para o cenário macroeconômico durante o evento "CEO Conference", as taxas a partir de janeiro de 2028 renovaram máximas intradia, ainda que com altas que não passaram de 5 pontos-base ante os ajustes.
Agentes também apontaram à Broadcast que a piora dos DIs pode ter refletido aumento de posições defensivas às vésperas da divulgação de nova edição da pesquisa Genial/Quaest, a ser publicada amanhã.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,35% no ajuste anterior para 13,38%. O DI para janeiro de 2029 aumentou de 12,694% no ajuste de ontem para 12,745%. O DI para janeiro de 2031 avançou a 13,145%, vindo de 13,106% no ajuste antecedente.
Com o dólar ainda subindo pouco ante o real, Treasuries em queda, e o IPCA de janeiro praticamente em linha com as estimativas (alta de 0,33%) divulgado na abertura do pregão, participantes do mercado ouvidos pela Broadcast tiveram dificuldade, em um primeiro momento, em apontar um gatilho claro para a modesta esticada dos vértices mais distantes nas horas finais da sessão.
Mas o movimento coincidiu com declarações de Mansueto, cujas opiniões têm peso relevante para o mercado. Economistas ponderam que sua avaliação não trouxe mudanças em relação ao cenário recente do banco, mas na falta de outros possíveis vetores mais visíveis, avaliam que este deve ter sido o gatilho para a aceleração dos DIs.
Para o ex-secretário do Tesouro, será muito difícil que o País consiga crescer nos próximos quatro anos a ritmo observado no último quadriênio, o que ressalta a urgência da necessidade de correção das contas públicas. Em suas previsões, o déficit nominal do governo caminha para patamar de 8,5% do PIB, indicando que a situação fiscal brasileira não está resolvida. Os juros reais de financiamento de longo prazo alcançaram 7,5% ao ano, observou o sócio do BTG, custo "salgado" e não sustentável.
Em seguida, o estrategista-chefe da instituição, Tiago Berriel, afirmou que é mais fácil para o Banco Central subir juros em um ano eleitoral do que iniciar um ciclo de afrouxamento monetário, dado que as eleições adicionam maior volatilidade aos ativos, principalmente ao câmbio. Para Berriel, o ciclo de cortes deve totalizar 300 pontos-base e, olhando mais à frente, atingir 450 pontos-base, mas há incerteza sobre como a autoridade monetária vai reagir frente a risco de maior volatilidade.
Economista-chefe da Mirae Asset, Marianna Costa acompanhou as falas que, em sua percepção, corroboram um quadro fiscal bastante desafiador após 2027. "Nesse sentido, o fiscal pode limitar uma queda abaixo de 10% da Selic em um prazo mais longo", disse.
Segundo Marianna, a curva embute uma redução dos juros em 2026, mas olhando à frente, há dúvidas sobre a segunda parte do ciclo de queda, de 2027 para frente. "Talvez a taxa neutra de juros aquela que não acelera nem desacelera a inflação seja de fato mais elevada", cogitou a economista, acrescentando que o indicador oficial de inflação de janeiro, conhecido hoje, trouxe composição ligeiramente pior, mas insuficiente para mudar a dinâmica dos juros.
A precificação da curva praticamente não teve alteração ante ontem, observa Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG. Em seus cálculos, a maioria das apostas - entre 80% e 85% - são de corte de 50 pontos-base da Selic na reunião de março do Copom. A taxa terminal apontada para 2026 está em 12,15%.
Para Serrano, o dado de inflação do último mês foi neutro para a dinâmica dos DIs hoje, uma vez que a resistência na parte de serviços inerciais, subjacentes e intensivos em mão de obra não é exatamente uma novidade. "Isso era sabido desde o IPCA-15. O IPCA nem piora nem melhora o cenário para os juros", diz o economista, para quem os dados de atividade que sairão ao longo desta semana serão mais importantes. "Na margem devem vir fracos, mas estamos sem 'trigger' para movimentos maiores na curva", afirmou.
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