As taxas de juros negociadas no mercado futuro oscilam em leve alta em toda a curva na manhã desta sexta-feira, 27, mas com maior pressão nos vencimentos curtos e intermediários, que respondem mais à expectativa para a política monetária. A guerra no Oriente Médio continua no pano de fundo e, em meio às incertezas, o que se vê é alta de mais de 2% do petróleo, fortalecimento do dólar e alta dos juros dos Treasuries. No Brasil, o dólar oscila perto da estabilidade, o que ajuda a conter as taxas. No entanto, a influência externa se impõe.
"O mercado vem dando sinais de perda de confiança em Donald Trump [presidente dos EUA], que a cada momento anuncia um prazo diferente para o anúncio de um acordo. Por outro lado, o Irã nega as negociações e Israel anuncia ampliação dos ataques. Está tudo muito contraditório", diz José Raymundo Faria Junior, diretor da Wagner Investimentos. Diante da proximidade do final de semana, o investidor acaba por optar pela cautela. No Brasil, a pressão não é maior porque o dólar oscila perto da estabilidade.
Para Eduardo Velho, economista-chefe e sócio da Equador Investimentos, as idas e vindas das declarações de Trump mostram para o mercado que o desfecho da guerra está mais distante, o que significa que o conflito não possa terminar na próxima semana, por exemplo. Mas enquanto não se tem certeza, o mercado opta pela cautela.
"O mercado me parece num contexto ainda muito negativo, com os juros dos Treasuries ainda subindo e sem nenhuma novidade. Os índices de inflação não estão tão bons, com IPCA-15 acima do esperado e até o IPC-S, que praticamente dobrou. Todos esses fatores reforçam o comportamento de alta dos juros", diz o economista, que assim como Faria Junior, espera corte de 25 pontos-base na taxa Selic na próxima reunião de política monetária. "O cenário indica que o BC terá de ser muito gradualista. Se ele não promover nenhum corte na próxima reunião, ele não estaria errado", afirma Velho.
Às 11h05, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 tinha taxa de 14,370%, ante 14,327% do ajuste de ontem.
O DI para janeiro de 2028 projetava 14,16%, contra 14,11%. E a taxa do DI para janeiro de 2031 estava em 14,13%, ante 14,15% de ontem.
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