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Sobrevivente de intoxicação em academia de São Paulo ajuíza ação indenizatória após internação em UTI

Sobrevivente de intoxicação em academia de São Paulo ajuíza ação indenizatória após internação em UTI

A administradora paulista Letícia Helena Oliveira ingressou na Justiça de São Paulo com uma ação de indenização por danos morais e materiais contra a academia C4 Gym, após ter sido uma das vítimas do grave acidente químico ocorrido em fevereiro de 2026 em uma unidade da rede na capital paulista. O pedido foi protocolado pelo advogado Eduardo Lemos Barbosa, especialista em indenizações.

Segundo a petição inicial, Letícia estava na piscina da academia acompanhando a aula de natação da filha quando ambas foram expostas a gases tóxicos gerados pela suposta mistura inadequada de produtos químicos utilizados na manutenção do local. O episódio provocou intoxicação em diversos frequentadores, resultando na morte de uma professora de 27 anos e na hospitalização de outras pessoas.

De acordo com os documentos anexados ao processo, a administradora precisou ser socorrida e encaminhada ao Hospital e Maternidade Anália Franco, onde permaneceu internada, inclusive na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Exames realizados durante o tratamento apontaram alterações respiratórias e metabólicas compatíveis com a exposição química. Após a alta, ela continuou apresentando sintomas persistentes, como limitações respiratórias, tosse e cefaleias, o que resultou em afastamento do trabalho por vários meses.

A ação relata ainda que Letícia desenvolveu Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), com crises de pânico, alterações do sono, estado permanente de alerta e necessidade de acompanhamento psiquiátrico e psicológico contínuo. Laudos médicos e psicológicos anexados ao processo apontam que as sequelas emocionais permanecem até hoje.

Conforme a petição, investigações policiais apuraram que os produtos químicos da piscina eram manipulados por um funcionário sem qualificação técnica específica para a atividade. A defesa sustenta que a situação evidencia grave falha na prestação do serviço e descumprimento dos deveres de segurança exigidos para estabelecimentos que recebem diariamente crianças, famílias e praticantes de atividades físicas.

Segundo informações fornecidas por Letícia, o impacto do acidente ultrapassou as consequências físicas e emocionais. Em razão do prolongado afastamento laboral e da ausência de recebimento de benefícios previdenciários durante parte do período, a família enfrentou severas dificuldades financeiras. Embora tenha retornado ao trabalho em maio, por necessidade econômica, a administradora ainda relata dificuldades de concentração, lapsos de memória e desconforto em ambientes com excesso de ruído ou grande circulação de pessoas.

Além dos prejuízos enfrentados pela autora e sua família durante o período de recuperação, a ação também busca reparação em favor de seu marido, Renato Luiz dos Santos. O processo sustenta que ele precisou interromper suas atividades profissionais para acompanhar a recuperação da esposa e assumir integralmente os cuidados da família durante o período mais crítico do tratamento.

Para o advogado Eduardo Lemos Barbosa, o caso demonstra a importância da responsabilização de empresas que deixam de adotar protocolos adequados de segurança: “Os frequentadores de academias e centros esportivos têm o direito de confiar que estão em um ambiente seguro. Quando uma falha operacional provoca consequências tão graves, com internações, sequelas físicas e psicológicas e até perda de vidas, a reparação judicial torna-se um instrumento fundamental de justiça e de prevenção para que situações semelhantes não voltem a ocorrer”, afirma.

Na ação, os autores requerem indenização por danos morais, ressarcimento de despesas médicas e terapêuticas e demais reparações decorrentes do episódio. O processo tramita na Vara Cível do Foro Regional da Vila Prudente, em São Paulo.

 

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