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Um novo relatório da ONG Oxfam evidencia de forma contundente que a crise climática é também uma crise de desigualdade, em que uma pequena parcela da população mundial concentra a maior parte das emissões de carbono, enquanto a maioria sofre os impactos sociais e econômicos.
Segundo a análise, em 2026 o 1% mais rico da população global esgotou sua “cota” anual de emissões de carbono em apenas 10 dias, um marco chamado de “Pollutocrat Day” pela ONG, enquanto o grupo de 0,1% mais rico ultrapassou esse limite ainda mais cedo. Essas cotas referem-se à quantidade de CO₂ que cada pessoa poderia emitir ao longo do ano mantendo o aquecimento global dentro do limite de 1,5 °C, conforme acordos climáticos internacionais.
A Oxfam também alerta que o consumo excessivo de carbono por parte das elites pode causar cerca de 1,3 milhão de mortes relacionadas ao calor até o final do século, além de gerar custos econômicos massivos em países de baixa e média renda que somam trilhões de dólares até 2050.
O relatório reforça que a desigualdade climática fragiliza discursos genéricos de responsabilidade compartilhada, porque poucos concentram emissões desproporcionalmente altas enquanto muitos suportam os custos da crise climática. Por isso, destaca-se a necessidade urgente de instrumentos institucionais eficazes que regulem o mercado de carbono, diferenciem responsabilidades e incorporem justiça climática nas políticas ambientais globais.
Especialistas citados pelo estudo defendem que redefinir as regras do mercado de carbono — incluindo precificação justa e mecanismos que responsabilizem grandes emissores — é crítico para alcançar metas climáticas e reduzir as disparidades entre ricos e pobres em nível global.
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