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'Quando parece forçado, é rejeição imediata': especialistas de marketing analisam 'Vai, Brasa'

A nova camisa da seleção brasileira para a Copa do Mundo 2026 foi apresentada pela Nike, com a campanha "Vai, Brasa". Segundo especialistas ouvidos pelo Estadão, analisam que há uma tentativa de aproximação de um público jovem, mas criticam elementos da divulgação.

O uniforme conta com detalhes como formas geométricas da bandeira e a expressão "Vai, Brasa". Elementos culturais, como listras inspiradas na capoeira e um escudo que mistura o retrô e o moderno, também foram incluídos.

Segundo o diretor criativo da agência End to End, que atua com soluções em engajamento esportivo, Alexandre Mota, a própria campanha já tenta se blindar de possíveis críticas e tem um esforço para ganhar as redes sociais diante da controversa camisa azul, com a Jordan.

"Acredito que colocar sua designer para falar das referências históricas e culturais da nova amarelinha não é algo gratuito, e, sim, parte da estratégia da Nike. O vídeo publicado entrega mais do que 'easter eggs'. Entrega argumentos parte da estratégia da Nike. O vídeo publicado entrega mais do que 'easter eggs'. Entrega argumentos para blindar o uniforme de possíveis críticas, fato recorrente nos últimos anos e revivido pela repercussão negativa da nova camisa azul com o Jumpman", analisa.

Mota ressalva para o slogan da campanha, apontando a similaridade com "É o Brasa", utilizado pelo Time Brasil. "Pelo visto, quem acompanha a seleção ainda não abraçou o slogan olímpico", diz.

O apelo às redes sociais também é visto na análise de Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo. "Fica claro que existe uma tentativa de reposicionar a comunicação da Seleção para algo mais jovem, digital e conectado com linguagem de torcida e redes sociais. Ao mesmo tempo, há um cuidado em manter elementos históricos no design, o que mostra esse equilíbrio entre tradição e renovação", avalia.

Para Wolff, o desafio é que o slogan soe orgânico para o torcedor. "Quando parece forçado, a rejeição é imediata. Em termos de marketing, a ideia é boa, mas o sucesso depende muito mais da identificação genuína do público do que apenas da estética ou da frase escolhida."

Essa repercussão que define o sucesso também é vista pelo CEO da Heatmap e especialista em patrocínios e ativações de marketing esportivo, Renê Salviano. "Sempre que uma instituição desportiva lança seu manto, temos opiniões que inevitavelmente se dividem pois se trata da nossa maior paixão que é a seleção brasileira de futebol. Os brasileiros se sentem técnicos, se sentem donos dessa marca."

Salviano é mais otimista sobre a campanha. "Ao se aproximar da Copa do Mundo as análises da campanha de marketing ou do design da camisa sairão do âmbito do digital e acredito que teremos mais um recorde de vendas", projeta.

A seleção brasileira estreia o uniforme azul contra a França, em amistoso no dia 26 de março. Já a camisa amarela entra em campo pela primeira vez no outro jogo desta Data Fifa, o amistoso contra a Croácia, dia 31 de março.

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