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PSDB faz pesquisas e busca alianças para manter pré-candidatura de Paulo Serra ao governo de SP

O PSDB tem feito pesquisas e intensificado as conversas com outros partidos para viabilizar a pré-candidatura do ex-prefeito de Santo André (SP) Paulo Serra ao governo de São Paulo. A movimentação é acompanhada de perto pelas campanhas de Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), uma vez que a entrada dos tucanos na disputa pode alterar a distribuição de votos e influenciar a realização de um segundo turno, o que é desejado pelo PT.

Em entrevista ao Estadão, Paulinho Serra, como é conhecido o ex-prefeito de Santo André, afirmou que a viabilidade de sua pré-candidatura depende da formação de uma aliança partidária.

Segundo ele, as tratativas avançaram nas últimas semanas, especialmente com o Democracia Cristã (DC) e o Solidariedade, este segundo presidido pelo deputado federal Paulinho da Força (SP). Em paralelo, o tucano mantém conversas com a Missão, partido do Movimento Brasil Livre (MBL), e com o Avante.

"A federação PSDB-Cidadania está focada na construção de uma candidatura em São Paulo. Ela ainda não está consolidada porque nosso objetivo é ampliar a aliança. Se isso não acontecer, fica muito difícil viabilizá-la", diz Paulinho Serra.

Uma ala da federação, contudo, pretende acabar com a indefinição e tenta enterrar a candidatura tucana já em uma reunião da Executiva Estadual prevista para esta semana. A preferência deste grupo é apoiar a reeleição de Tarcísio. Paulo Serra diz desconhecer a reunião e nega que a candidatura será rejeitada.

Presidente estadual da federação, o deputado federal Alex Manente (Cidadania) afirma que uma candidatura própria ajudaria a resgatar a identidade do PSDB e do Cidadania em São Paulo, siglas que segundo ele defendem a responsabilidade fiscal e a diminuição da desigualdade social, mas com uma visão liberal da economia.

"É sempre muito importante ter uma candidatura. A única coisa é que ela não pode servir para colaborar com processos, como a gente vê anunciando, do PT. Nós não serviremos ao PT", declarou Manente.

As pesquisas internas encomendadas pelo PSDB indicam que o principal desafio da candidatura tucana é o tempo. Com o início oficial da propaganda eleitoral marcado para 16 de agosto, o partido teria uma janela curta para ampliar o conhecimento do eleitorado sobre Paulo Serra, apresentar suas propostas e estruturar a campanha.

"Por isso valorizamos a aliança com outros partidos, pois ampliaria o tempo de televisão e a quantidade de deputados e prefeitos fazendo campanha para nós", disse Paulo Serra.

O financiamento da campanha também é apontado como um obstáculo pelos tucanos, já que o PSDB deve priorizar a eleição para o Congresso e o envio de recursos a candidaturas competitivas nos Estados. O Ceará é um deles. Lá, o ex-governador e ex-presidenciável Ciro Gomes aparece bem posicionado nas pesquisas e é visto como um nome com chances reais de vitória.

O deputado federal e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, disse que o partido trabalha para construir uma alternativa à polarização tanto no plano nacional quanto nos Estados, em especial, São Paulo.

"O ex-prefeito Paulo Serra é o nosso pré-candidato ao governo de São Paulo e acreditamos que, por sua trajetória e experiência administrativa, ele pode vir a se transformar em uma alternativa viável para aqueles que já se cansaram dessa polarização. A direção nacional do partido e da federação continuam trabalhando para construir uma aliança robusta em torno do seu nome", afirmou o dirigente.

Reservadamente, um aliado de Paulo Serra afirmou que o ex-prefeito está mais "animado" com a possibilidade de disputar o governo de São Paulo.

Embora as chances de vitória sejam consideradas baixas, a avaliação é que uma eleição com poucos candidatos colocados pode oferecer ao tucano uma oportunidade de projetar seu nome no Estado. Ao mesmo tempo, uma candidatura própria do PSDB em São Paulo é vista como importante para o esforço nacional de reconstrução da legenda, que esteve à frente do Palácio dos Bandeirantes por quase 30 anos.

Um dos problemas é que Paulo Serra é apontado por dirigentes como um potencial puxador de votos para a chapa do partido à Câmara dos Deputados, e sua entrada na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes poderia dificultar os planos da sigla de ampliar sua bancada federal.

Candidatura tucana interessa ao PT

Um dos partidos mais interessados em uma candidatura própria do PSDB ao governo de São Paulo é justamente o PT, rival histórico dos tucanos. Integrantes da legenda de Lula chegaram a tentar, sem sucesso, abrir negociações para uma aliança no primeiro turno. A possibilidade, porém, é rejeitada dentro do PSDB.

Nos bastidores, petistas avaliam que a entrada de um candidato tucano na disputa reduziria as chances de uma vitória de Tarcísio ainda no primeiro turno, cenário apontado por algumas pesquisas eleitorais. O entendimento é que uma definição antecipada da eleição paulista poderia desmobilizar parte da base eleitoral de Lula no maior colégio eleitoral do País, prejudicando a campanha presidencial.

A avaliação leva em conta o número reduzido de pré-candidatos no Estado. Além de Tarcísio e Haddad, apenas Paulo Serra e o deputado federal Kim Kataguiri, do Missão, aparecem pontuando nos levantamentos. Kim, no entanto, ainda não definiu se disputará o governo paulista ou tentará a reeleição para a Câmara.

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