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Diário de Notícias

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Por que os jovens abandonam os estudos no Brasil?

A evasão escolar ainda é alta no Brasil, mas registrou queda significativa nos últimos anos. Pelo menos 7,9 milhões de jovens brasileiros (14 a 29 anos) não completaram o ensino médio ou nunca frequentaram a escola, segundo a nova edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Educação, divulgada nesta sexta-feira, 19, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Necessidade de trabalhar e falta de interesse nos estudos são as razões mais alegadas para a evasão, sobretudo entre os homens. Entre as mulheres, surgem também a gravidez e a necessidade de trabalhar em casa com afazeres domésticos.

O número total representa queda de mais de 8% em relação à edição anterior da pesquisa, quando era de 8,6 milhões. Segundo técnicos do IBGE, não é possível ainda associar a redução ao Pé-de-Meia, programa federal criado em 2024, que prevê auxílios financeiros aos jovens que seguem nas salas de aula durante o ensino médio.

O Pé-de-Meia recompensa a frequência escolar e a conclusão de ano com benefícios que podem chegar a R$ 9,2 mil. Especialistas apontam a necessidade de apoio financeiro para a permanência na escola, mas defendem a necessidade de ampliar estratégias para combater a evasão.

Do total de jovens que abandonaram a escola ou nunca a frequentaram, 59,8% eram homens e 40,2%, mulheres, confirmando as tendências mais recentes segundo as quais as meninas estudam mais do que os meninos.

Considerando a distribuição por cor ou raça, 26,4% eram brancos e 72,8% eram pretos ou pardos -- números que, mais uma vez, reafirmam as maiores dificuldades estruturais da população negra no País, segundo os técnicos do IBGE.

Segundo os técnicos do IBGE, a grande virada ocorre na faixa dos 15 anos, a partir da qual ocorre a maior parte da evasão escolar. Segundo o levantamento, o movimento pode estar ligado "tanto a mudanças na estrutura curricular, quanto à percepção de utilidade do ensino médio ou à necessidade da entrada precoce no mercado de trabalho."

Ao analisar a idade em que esses jovens deixaram a escola, observa-se que as maiores taxas de abandono ocorrem a partir dos 16 anos: 18,5% deixaram a escola nesta idade, 20,0% aos 17 anos e 17,6% aos 18 anos.

Ainda assim, o abandono escolar precoce persiste nas idades correspondentes ao ensino fundamental: 7,5% deixam a escola até os 13 anos e 7,6% aos 14 anos. As taxas são consideradas ainda muito elevados e, segundo os técnicos do IBGE, são uma das causas da precarização na formação educacional da população.

Ao serem perguntados sobre o principal motivo para abandonar a escola ou de nunca a terem frequentado, grande parte dos jovens indica a necessidade de trabalhar (43,0%). A taxa representa um leve aumento (de 1,0 p.p.) em relação a 2024. O segundo motivo para a evasão foi "não ter interesse em estudar", citado por 25,6%.

Em relação às diferenças por sexo, os novos dados reforçam o padrão já observado anteriormente. Entre os homens que abandonam ou nunca frequentaram a escola, o principal motivo alegado foi a necessidade de trabalhar (54,2%), seguido de falta de interesse em estudar (28,0%).

Por outro lado, entre as mulheres, o quadro é significativamente diferente. Embora o motivo mais citado também seja a necessidade de trabalhar, ele representa 26,2% do total, seguido de outros fatores relacionados à dinâmica de gênero, como gravidez (24,7%) e realização de afazeres domésticos ou cuidado com outras pessoas (8,6%).

"Tais resultados evidenciam que, para além da condição econômica, as responsabilidades reprodutivas e domésticas ainda figuram entre os principais entraves à permanência das mulheres jovens nas escolas, ao passo que a necessidade de trabalhar mantém os homens fora da escola", conclui o levantamento.

Ainda assim, a taxa de escolarização das pessoas de 6 a 14 anos de idade no Brasil é de 99,5%, o que corresponde a um contingente estimado em 26 milhões de estudantes nesta faixa etária inseridos no sistema educacional. Esse nível de escolarização, considerado elevado, se mantém estável desde 2016.

Na faixa etária seguinte, de 15 a 17 anos, a taxa de escolarização é de 93,2%, o que representa uma estabilidade em relação ao ano anterior, 2024, mas ainda abaixo da meta.

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