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Diário de Notícias

DN.

PCC e máfias da Saúde e ônibus pagavam PMs da Rota comandados por coronel citado em operação

A presença de policiais militares das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) recebendo dinheiro para fazer segurança de organizações criminosas foi detectada em pelo menos quatro investigações policiais distintas que apuravam ligações de máfias com bandidos do Primeiro Comando da Capital (PCC). Quase todos os fatos apurados aconteceram durante o período em que o coronel José Augusto Coutinho comandava o batalhão.

O Estadão pediu manifestação de Coutinho e Derrite. O espaço está aberto.

Ex-comandante-geral da PM, Coutinho era homem de confiança do ex-secretário da Segurança e deputado federal Guilherme Derrite (PP). Ele pediu demissão após conversar com o governador Tarcísio de Freitas, que havia tomado conhecimento do depoimento prestado pelo promotor Lincoln Gakiya à Corregedoria da PM, no qual o integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao crime Organizado (Gaeco), do Ministério público, disse ter levado até Coutinho um áudio que provava que PMs da Rota haviam vendido informações ao PCC. Segundo Gakiya, Coutinho não tomou nenhuma providência para apurar os fatos.

Coutinho prestou depoimento à Corregedoria e negou ter ouvido o áudio. Sua defesa afirmou ainda que não procedem as informações de que ele teria sido alertado sobre o envolvimento de subordinados com a organização criminosa e deixado de tomar providência. Na manhã desta terça-feira, o nome de Coutinho apareceu em uma nova operação do Gaeco: a Janus, que apontou menções a três coronéis da PM paulista com indícios de proximidade com operadores financeiros da facção, incluindo participação em grupo de WhatsApp e pagamentos aos oficiais.

Segurança da máfia das Oss

Há pelo menos cinco anos investigações criminais de São Paulo se deparam com informações sobre supostas ligações de PMs da Rota com bandidos do PCC. A primeira delas foi a Operação Raio-X, da Polícia Civil, que investigou a máfia das Organizações Sociais da Saúde. PMs do batalhão transportavam dinheiro desviado de hospitais e de unidades de saúde, cuidando da segurança para impedir que a organização criminosa fosse roubada na Grande São Paulo. No interior, quem fazia esse trabalho eram bandidos do PCC.

Interceptações telefônicas feitas pela Operação Raio X mostraram que os policiais trabalhavam para o administrador do hospital Antonio Giglio, em Osasco, na Grande São Paulo, que havia sido recrutado pela máfia das OSs pelo médico Cleudson Garcia Montali, condenado a 200 anos de prisão como líder da organização criminosa que atuava em quatro Estados e foi acusada de desviar cerca de R$ 500 milhões. Montali sempre alegou inocência.

À serviço de Tuta, chefão do PCC

A segunda vez que os policiais da Rota foram citados em uma investigação envolvendo o PCC foi em um Procedimento de Investigação Criminal (PIC), aberto pelo Gaeco em 2022. Nele está anexado um áudio que foi gravado às escondidas por policiais do serviço reservado da Rota e vendido para o PCC.

Tratava-se do depoimento do delator do PCC Emivaldo dos Santos, o BH, tomado por Gakiya na sede da Rota em 2021. Segundo BH disse ao promotor, Marcos Roberto de Almeida, Pires, o Tuta, líder da Sintonia Restrita do PCC, responsável por ataques a autoridades, pagou R$ 5 milhões aos policiais militares da inteligência do batalhão. Além do acesso ao áudio, ele era informado com antecedência de operações do Gaeco.

Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto pela Corregedoria da PM, que ouviu o promotor no dia 5 de março de 2026. Gakyia contou aos corregedores que a prisão de Tuta, durante a Operação Sharks, em 2020, a primeira a investigar a lavagem de dinheiro da cúpula da facção, foi frustrada em razão da ação dos policiais corruptos.

A Corregedoria identificou como suspeitos oito policias da Rota que teriam formado um "núcleo de vazamentos de informações privilegiadas para os criminosos Anselmo Santa Fausta, o Cara Preta; Claudio Marcos de Almeida, o Django; Marcos Roberto de Almeida, Pires, o Tuta. Silvio Luiz Ferreira, o Cebola; Rafael Maeda Pires, o Japa, e o advogado Ahmed Hassan Saleh, o Mude", todos ligados à lavagem bilionária da Sintonia do Tomate, o tráfico internacional de drogas do PCC.

Entre os policiais então investigados, conforme revelou o Estadão, estava o 3.º sargento José Roberto Barbosa de Souza, o Barbosinha, que foi motorista do ex-secretário Derrite, quando ele trabalhou na Rota. Derrite gravou vídeo com Barbosinha e o publicou em suas redes sociais, em 2021, no qual o tratava como "grande amigo, um grande policial". Depois, excluiu o vídeo. Todos os PMs da Rota negaram as acusações.

Fim da Linha e caso Gritzbach

A terceira vez que policiais da Rota foram flagrados trabalhando para uma organização criminosa ligada ao PCC foi durante a Operação Fim da Linha, que investigou a captura de parte do sistema de transporte público de São Paulo pela facção paulista. Promotores do Gaeco identificaram pagamentos da empresa a PMs do batalhão que faziam a segurança dos diretores da Transwolff.

No começo do ano, a Corregedoria da PM deflagrou a Operação Kratos, que prendeu em fevereiro o capitão Alexandre Paulino da Silveira, então chefe da Assessoria Militar da Câmara Municipal de São Paulo. Ele é acusado de chefiar o grupo de policiais que trabalhavam para a Transwolff. Os corregedores também apreenderam uma mala com R$ 1 milhão em dinheiro vivo na casa do 3.º sargento da reserva Nereu Aparecido Alves. Ele alegou que o dinheiro pertence a "um amigo, que não tem ligação com a PM". O sargento e um terceiro policiais presos na ação serviam na Rota na época em que prestavam segurança.

Por fim, ex-PMs da Rota foram investigados sob a suspeita de estarem envolvidos com a segurança do empresário Antonio Vinicius Gritzbach, o delator do PCC, assassinado em novembro de 2024 no desembarque do aeroporto internacional de Guarulhos. Três policiais militares são acusados de receber do PCC para matar o delator, que entregou negócios de Cebola, Cara Preta, Japa, Django e outros integrantes da facção que teriam sido beneficiados com informações fornecidas pelos PMs da Rota.

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