A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou como inadequado e inoportuno o texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho e acaba com a escala 6x1, aprovada na quarta-feira, 27, pelo plenário da Câmara dos Deputados. A entidade defende que o debate seja adiado para depois das eleições e conduzido com "equilíbrio, responsabilidade e base técnica".
Para a CNI, mudanças desse porte exigem discussão ampla, com participação de trabalhadores, empregadores e poder público, porque podem ter efeitos relevantes sobre emprego, custos e a economia.
A entidade afirma que uma redução da jornada por imposição legal, sem transição adequada e sem ganho equivalente de produtividade, tende a elevar custos e pressionar preços de produtos e serviços. Projeção recente da CNI aponta impacto entre 6% e 9% em diferentes segmentos, com reflexos em itens como alimentos, serviços e vestuário.
A CNI também defende que a negociação coletiva é o instrumento mais adequado para que empresas e trabalhadores construam soluções ajustadas a cada atividade econômica. Segundo a confederação, mudanças legais uniformes podem restringir o espaço de negociação, comprometer a segurança jurídica e reduzir a previsibilidade para investimentos, criação de empregos e a sustentabilidade dos negócios, especialmente de micro e pequenas empresas.
Por fim, a entidade afirma que qualquer mudança deveria vir acompanhada de uma agenda de aumento de produtividade, com investimentos em tecnologia, qualificação profissional, inovação e modernização das relações de trabalho. A CNI diz esperar que o Senado analise o tema com cuidado e responsabilidade.
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