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O passaporte brasileiro foi para o celular — e o Brasil está entre os primeiros países do mundo com essa novidade

Quem já perdeu o passaporte numa viagem, ou passou pela agonia de vasculhar a mala no aeroporto para provar quem é, vai entender a relevância do que aconteceu esta semana. O Google liberou silenciosamente, nos últimos dias, a opção de cadastrar o passaporte como documento de identificação digital dentro da Carteira do Google — e o Brasil está entre os primeiros países do mundo a receber o recurso, ao lado de Singapura, Taiwan e Reino Unido.

O processo é mais sofisticado do que parece. Não basta tirar uma foto do passaporte. O sistema exige três etapas: primeiro, o usuário fotografa a página com seus dados pessoais. Depois, usa o chip NFC do celular para fazer a leitura do chip de segurança embutido no passaporte físico — aquele que poucos sabem que existe. Por último, grava um vídeo curto do próprio rosto para confirmação biométrica em tempo real. O processo todo leva menos de dez minutos quando corre bem, e os dados ficam armazenados de forma criptografada no próprio aparelho, sem envio para a nuvem.

O ponto que mais chama atenção — e que já gerou debate — é o que o documento digital não faz. Ele não substitui o passaporte físico para viagens internacionais. Não serve para imigração. Não funciona em fronteiras. Seu uso é restrito a situações do dia a dia em que você precisa comprovar identidade ou idade em locais que aceitem o formato, como lojas, aplicativos com restrição de faixa etária e alguns serviços online.

Há também um detalhe de privacidade que é genuinamente inovador: o sistema usa uma tecnologia chamada Zero Knowledge Proof, que permite provar uma informação sem revelar os dados completos. Na prática, se um estabelecimento precisar confirmar que você tem mais de 18 anos, o sistema confirma isso sem precisar mostrar seu nome, data de nascimento ou qualquer outro dado pessoal. A informação é verificada, mas não entregue.

Cada conta Google suporta apenas um documento de identificação por vez, e em caso de perda do celular, o passe pode ser removido remotamente. O passaporte físico, por enquanto, continua sendo indispensável para quem vai viajar. Mas a tendência é clara: o smartphone está começando a substituir a carteira — e agora também começa a olhar para a mala de viagem.

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