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Diário de Notícias

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O maior divórcio da tecnologia: OpenAI e Microsoft acabam com a exclusividade que redefinia o mercado de IA

Durante seis anos, foi a maior aliança da inteligência artificial. A Microsoft apostou mais de 13 bilhões de dólares na OpenAI — criadora do ChatGPT — e em troca obteve algo precioso: exclusividade. Todos os produtos e modelos da OpenAI, incluindo o acesso via API, só podiam rodar na nuvem Azure, da Microsoft. Nenhum concorrente podia tocar naquilo. Isso acabou esta semana.

Na segunda-feira, 27 de abril, Sam Altman anunciou nas redes sociais com uma frase só: "Atualizamos nossa parceria com a Microsoft." Simples assim. Mas o impacto foi imediato — as bolsas reagiram negativamente para a Microsoft no mesmo dia.

O que mudou na prática é enorme. A OpenAI agora pode distribuir seus modelos e tecnologias em qualquer plataforma de nuvem — incluindo Amazon Web Services e Google Cloud, rivais diretas da Azure. A exclusividade, que era o grande trunfo da Microsoft, simplesmente deixou de existir. Não por acidente: em fevereiro deste ano, a Amazon havia anunciado um investimento de até 50 bilhões de dólares na OpenAI, o que criou um conflito jurídico imediato com os termos anteriores do contrato. O novo acordo resolveu esse impasse de uma só vez.

A Microsoft não sai de mãos vazias. Ela continua sendo a principal parceira de nuvem da OpenAI — os novos produtos ainda serão lançados primeiro no Azure — e mantém uma licença para usar a propriedade intelectual da OpenAI até 2032. Mas perdeu o monopólio. A OpenAI, por sua vez, continuará pagando à Microsoft uma fatia de sua receita até 2030, mas o inverso não acontece mais: a Microsoft parou de repassar porcentagens à startup.

O detalhe mais curioso de todo o acordo é uma cláusula que existia no contrato original e que agora foi removida em silêncio: a chamada cláusula de AGI. Ela previa que, caso a OpenAI desenvolvesse uma inteligência artificial geral — ou seja, uma IA de capacidade equivalente ou superior à humana — a Microsoft perderia automaticamente todos os seus direitos exclusivos. A OpenAI nunca declarou ter atingido esse patamar. Mesmo assim, a cláusula foi deletada do novo acordo, como se a discussão sobre o que seria ou não uma AGI tivesse se tornado inconveniente demais para ambos os lados.

O mundo da inteligência artificial mudou de forma permanente nesta semana. O ChatGPT, que nasceu dentro da nuvem da Microsoft, agora pode morar em qualquer lugar.







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