0

Diário de Notícias

DN.

O El Niño está de volta e pode chegar exatamente agora, em maio

Tem algo acontecendo silenciosamente no Oceano Pacífico neste momento, e os cientistas estão de olho com muita atenção. O retorno das condições climáticas do El Niño é esperado para maio deste ano, o que pode afetar as temperaturas globais e os padrões de chuva, segundo informou a Organização Meteorológica Mundial, a OMM, agência da ONU especializada em clima e tempo. Uma mudança clara foi observada no Pacífico Equatorial, com as temperaturas da superfície do mar subindo rapidamente, sugerindo alta probabilidade de desenvolvimento de condições de El Niño entre maio e julho.

O que é o El Niño e por que ele importa tanto

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. Ele faz parte do sistema conhecido como ENOS, que alterna entre três fases: El Niño, que é o aquecimento; La Niña, o resfriamento; e a condição neutra. Durante o episódio de El Niño, as temperaturas da superfície do mar ficam no mínimo 0,5°C acima da média por um longo período — e o fenômeno não possui duração definida, podendo persistir por mais de dois anos.

O que muda para o Brasil — e a parte que surpreende

O impacto no território brasileiro é, curiosamente, completamente oposto dependendo da região. No Brasil, o El Niño provoca efeitos opostos entre o norte e o sul do país. Normalmente, o fenômeno aumenta o risco de seca na faixa norte das regiões Norte e Nordeste, enquanto favorece grandes volumes de chuva no Sul.

Entre os riscos estão ondas de calor mais intensas, chuvas irregulares no Sudeste e Centro-Oeste, risco de enchentes no Sul e risco de secas severas no Norte e Nordeste. A partir do mês de agosto, a chance de ocorrência do El Niño aumenta e fica superior a 80% até o fim de 2026.

O alerta que mais preocupa os especialistas

Até o momento, a expectativa para o fenômeno é de fraca a moderada intensidade. Mas para Alexandre Nascimento, diretor da agência climática Nottus, "em um cenário de mudanças climáticas, qualquer El Niño pode ter consequências desastrosas."

A curiosidade que poucos sabem

O padrão climático é conhecido por afetar os climas regionais, potencialmente trazendo mais chuvas para o sul da América do Sul, sul dos Estados Unidos, partes do Chifre da África e Ásia Central, enquanto causa seca na Austrália, Indonésia e partes do sul da Ásia. Ou seja, um único fenômeno que começa no Pacífico consegue secar a Amazônia, alagar o Rio Grande do Sul, causar chuvas no deserto africano e provocar seca na Austrália — tudo ao mesmo tempo. E ele pode estar chegando justamente agora, neste mês de maio.

0 Comentário(s)

Faça login para comentar.