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O brasileiro virou o "consumidor imediatista" — e uma pesquisa bombástica explica por quê isso mudou tudo

Se em 2025 o brasileiro era chamado de "equilibrista" — aquele que se virava para manter as contas no azul — em 2026 ele ganhou um novo nome: o consumidor imediatista. E esse novo perfil está redesenhando completamente o mercado nacional.

É o que revela o estudo Consumer Pulse 2026, da consultoria Bain & Company, que ouviu 8 mil pessoas no Brasil e na América Latina com um questionário de 100 perguntas sobre finanças, comportamento de compra, saúde e hábitos de consumo. O resultado é um retrato fascinante — e preocupante — da mente do consumidor brasileiro hoje.

O que define esse novo perfil? A pressa. O brasileiro de 2026 quer resultado agora: entrega rápida, cashback imediato, desconto na hora, crédito sem burocracia. A espera virou intolerância. Segundo Ricardo De Carli, sócio da Bain responsável pelo estudo, "a urgência deixou de ser exceção e passou a ser regra."

Os números que explicam esse comportamento são reveladores. Cerca de 40% dos brasileiros relatam níveis de estresse altos ou extremos, principalmente por questões financeiras, com impacto maior entre mulheres e famílias de baixa renda. Apenas 11% conseguem poupar dinheiro sem abrir mão de algum desejo de consumo. E o endividamento das famílias brasileiras chegou a 80,2% em fevereiro de 2026 — o maior nível desde que a série histórica começou a ser medida, em 2010. A Serasa registrou 81,7 milhões de inadimplentes em março, com dívida média de R$ 6.598 por pessoa.

Mesmo assim — e aqui está o dado mais curioso — o consumo não parou. Ele se transformou. O brasileiro compra menos por vez, mas compra com mais frequência. As famílias de baixa renda recorrem ao crédito até para pagar conta de luz. E os programas de fidelidade explodiram: 72% dos consumidores participam de pelo menos um, com uma média impressionante de 6,4 programas por pessoa.

Outro dado que surpreende: o tipo de família que mais cresce no Brasil e no mundo hoje é a de uma pessoa só — quem mora sozinho. Isso está atrasando a compra de imóveis, reduzindo casamentos e mudando completamente o que, como e quando as pessoas consomem.

A conclusão do estudo é direta: as empresas que não se adaptarem a esse novo ritmo de urgência e conveniência vão perder espaço rapidamente. O brasileiro quer comprar — mas quer comprar para ontem.

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