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O brasileiro virou o "Consumidor Imediatista" — e um grande estudo explica o que isso significa para o mercado

Um dos maiores estudos sobre comportamento de consumo no Brasil acaba de revelar uma mudança profunda no jeito que o brasileiro compra, consome e decide. A consultoria global Bain & Company divulgou neste mês a nova edição do Consumer Pulse 2026, ouvindo 8 mil pessoas no Brasil e na América Latina, e o diagnóstico é claro e curioso: o brasileiro deixou de ser o "consumidor equilibrista" de 2025 e virou o "consumidor imediatista".

O que é o consumidor imediatista: Esse novo perfil é marcado por uma palavra de ordem: rapidez. O brasileiro de 2026 quer resultado agora — cashback na hora, frete grátis, entrega rápida, desconto imediato. Não há paciência para programas de pontos que demoram anos para render algo. A busca é por benefícios tangíveis e visíveis no curto prazo, em todas as áreas — desde a compra de um produto até o cuidado com a saúde.

Os números que impressionam: Cerca de 40% dos brasileiros relatam níveis de estresse altos ou extremos, motivados principalmente por questões financeiras — com impacto maior entre mulheres e famílias de baixa renda. Apenas 11% dos entrevistados conseguem poupar dinheiro sem abrir mão dos seus desejos de consumo. Famílias de baixa renda chegaram a recorrer ao crédito para pagar contas básicas, como luz e compras do dia a dia, enquanto as de renda mais alta usam crédito para bens duráveis e viagens.

O que o brasileiro cortou — e o que não cortou: Os gastos que mais caíram foram alimentação fora de casa, bebidas alcoólicas e entretenimento externo. Por outro lado, saúde segue intocável: é prioridade máxima para 46% dos brasileiros, um índice superior ao registrado nos Estados Unidos e na Europa. E os programas de fidelidade continuam fortíssimos — 72% dos consumidores participam de pelo menos um, com uma média surpreendente de 6,4 programas por pessoa.

O detalhe que ninguém esperava: O estudo revelou que 15% da população brasileira já usou ou usa medicamentos análogos ao GLP-1, como o Ozempic — e isso está mudando o consumo alimentar de forma silenciosa e estrutural no país.


Curiosidade de mercado: A pesquisa da Bain acompanha o comportamento do consumidor brasileiro desde 2020, quando a pandemia mudou tudo. Cada ano ganhou um apelido diferente: em 2022 veio o "novo normal", em 2023 o consumidor "reprimido", em 2025 o "equilibrista" tentando se virar no meio de juros altos. Agora, em 2026, o imediatismo é a resposta emocional a anos acumulados de pressão financeira. Como resumiu o sócio da Bain responsável pelo estudo: "Não é que o consumidor muda de um ano para o outro — ele vai acumulando experiências para formar novos hábitos." Um retrato honesto do Brasil de hoje.

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