O alerta veio do próprio Ministério do Meio Ambiente e está ecoando pelo país neste mês de abril: a destruição da Caatinga pode transformar grandes áreas do Brasil em deserto. O ministro João Paulo Capobianco foi direto ao ponto ao declarar que "está demonstrado que a destruição e o desmatamento excessivo da Caatinga vêm provocando a expansão da área em processo de desertificação no país."
O dado que choca: enquanto o mundo fala em Amazônia, é a Caatinga — o único bioma 100% exclusivamente brasileiro, que não existe em nenhum outro lugar do planeta — que está silenciosamente sendo destruída e levando consigo uma barreira natural fundamental contra o avanço do deserto.
O ministro chamou atenção para algo que muitos desconhecem: o Brasil possui seis biomas completamente distintos, e essa diversidade é o que torna o país a maior biodiversidade do planeta. A Caatinga, apesar de toda a sua riqueza paisagística e biológica, historicamente recebe muito menos atenção e proteção do que a Amazônia e a Mata Atlântica.
O desmatamento excessivo aliado ao uso inadequado do solo já está acelerando a degradação ambiental principalmente na região semiárida do Nordeste, onde áreas antes consideradas semiáridas estão se tornando áridas — um passo antes do deserto.
Como resposta, o governo federal lançou o programa Recatingar, voltado à recuperação de áreas degradadas com práticas sustentáveis. Além disso, o Brasil concluiu um Plano Nacional de Ação contra a desertificação, que será apresentado na COP 17, a conferência global sobre o tema, marcada para agosto na Mongólia.
A pergunta que fica: por que o Brasil, o país mais biodiverso do mundo, ainda trata como secundário o único bioma que pertence só a ele?
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