O Ministério do Meio Ambiente disparou um alerta grave nesta semana que merece muito mais atenção do que está recebendo: a destruição da Caatinga está provocando o avanço da desertificação em partes do Brasil — e se nada for feito, trechos do nosso território podem se transformar literalmente em deserto.
O alerta do ministro: O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, foi direto ao ponto: "Está demonstrado que a destruição e o desmatamento excessivo da Caatinga vêm provocando a expansão da área em processo de desertificação no país." Segundo ele, a Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro — ou seja, não existe em nenhum outro país do mundo — e funciona como uma barreira natural contra esse processo de degradação do solo. Quando essa barreira é derrubada, o avanço da desertificação se torna irreversível.
O bioma mais ignorado do Brasil: O ministro também fez uma crítica ao descaso histórico com a Caatinga. "As pessoas, quando pensam no Brasil, pensam na Amazônia. Quando muito, na Mata Atlântica. Mas esquecem que o Brasil possui seis biomas absolutamente diferentes e complexos, que fazem do país a maior biodiversidade do planeta", afirmou. A Caatinga cobre cerca de 11% do território nacional e abrange nove estados do Nordeste e parte de Minas Gerais, sendo habitada por cerca de 27 milhões de pessoas.
O que o governo está fazendo: O Brasil concluiu seu plano nacional de ações para cumprir a Convenção de Combate à Desertificação, que será apresentado na COP 17, em agosto, na Mongólia. Entre as iniciativas, foi lançado o programa Recatingar, voltado à recuperação de áreas degradadas e à substituição de atividades econômicas destrutivas por práticas sustentáveis.
Curiosidade ambiental: A palavra "Caatinga" vem do tupi e significa "mata branca" — uma referência ao aspecto das plantas quando perdem todas as folhas durante a seca, deixando galhos cinza-esbranquiçados à vista. Apesar de parecer árida e inóspita, a Caatinga abriga mais de 2.000 espécies de plantas, 591 espécies de pássaros, 177 de répteis e animais únicos como o tatu-bola e a ararinha-azul. É um dos ecossistemas semiáridos com maior biodiversidade do mundo — e também um dos mais ameaçados e menos protegidos do Brasil.
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