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O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) pediu nesta terça-feira, 6, a prisão preventiva de João Ricardo Rangel Mendes, ex-CEO da agência de viagens Hurb (empresa anteriormente nomeada como Hotel Urbano). Mendes já respondia a um processo por suspeita de furto de obras de arte e na segunda-feira, 5, foi detido no Aeroporto de Jericoacoara, no Ceará, com documento de identidade falso e tornozeleira eletrônica descarregada.
A defesa do ex-CEO afirmou ao Estadão que ele já está em liberdade após a audiência de custódia e que, no momento, o foco está no restabelecimento da saúde plena do cliente, com acompanhamento médico adequado. A reportagem questionou sobre o novo pedido de prisão preventiva do MP-RJ, mas não houve resposta até a publicação da reportagem.
Segundo o MP-RJ, após o caso de furto e uma prisão preventiva anterior, Mendes foi para a liberdade desde que cumprisse medidas cautelares, como usar a tornozeleira eletrônica, se ausentar da cidade apenas com prévia autorização judicial e obrigatoriamente apresentar relatórios médicos mensais no processo.
No entanto, para a promotoria, o episódio no Ceará e a ausência de juntada de relatório médico desde setembro demonstram descumprimento reiterado das medidas cautelares e evidente desrespeito às determinações judiciais, o que justifica o novo pedido de prisão preventiva.
Mendes foi detido ao tentar embarcar de Jericoacoara para Guarulhos, em São Paulo. Os funcionários do aeroporto no Ceará identificaram uma suspeita de irregularidade durante o procedimento de embarque e acionaram o Batalhão de Policiamento Turístico. Os policiais confirmaram que o documento de identidade era falso e deram voz de prisão a Mendes.
Em abril de 2025, o empresário foi preso em flagrante por furtar obras de arte de um hotel de luxo e de um shopping na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O MP o denunciou pelos crimes de furto qualificado e adulteração de identificação de veículo na ocasião. Mendes foi preso preventivamente, punição depois transformada nas medidas cautelares.
Empresa
Mendes e o irmão, João Eduardo Mendes, fundaram a Hurb em 2011, época em que os sites de compras coletivas explodiram no Brasil. A empresa apostou na venda de pacotes de viagens, passagens e hospedagem para ganhar espaço no mercado brasileiro.
Em 2023, a Hurb anunciou nas suas redes sociais que chegou a emitir viagens para mais de 400 mil pessoas em um ano e disse que vendia uma diária de hotel a cada 5 segundos.
A plataforma trabalhava com um sistema de datas flexíveis e oferecia pacotes abaixo do preço de mercado: os clientes compravam as viagens, escolhiam três opções de data e, até 30 dias antes do embarque, a Hurb entrava em contato para confirmar a data e passar informações sobre passagens e hospedagem.
Na pandemia de covid-19, a empresa vendeu pacotes promocionais com datas flexíveis, válidos por até dois anos. Mas, com a retomada das atividades do setor em 2022, a agência de viagens enfrentou dificuldades para honrar os acordos com os clientes e os parceiros. Nas redes sociais, os usuários classificaram as práticas da plataforma como "golpe do Hurb".
A Hurb entrou com pedido de recuperação judicial em 2024, mas já atravessava problemas para honrar os pacotes turísticos comprados pelos clientes antes, gerando uma enxurrada de pedidos de indenização por parte de consumidores.
Mendes saiu do cargo de CEO da companhia em abril de 2023, após xingar e expor dados pessoais de um cliente que reclamava do serviço da empresa, além de ter divulgado um vídeo em que ironizava as reclamações contra a empresa.
Em entrevista ao Estadão, o ex-CEO disse reconhecer os erros na comunicação com os clientes e afirmou que foi "pego de surpresa" pela dificuldade de acessar o caixa da empresa e honrar os contratos.
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