A força de trabalho potencial e o contingente de desalentados recuaram com intensidade, mesmo em um período de transição entre o primeiro e o segundo semestres. Em termos absolutos, houve redução de 634 mil pessoas na força de trabalho potencial e de quase 400 mil no grupo dos desalentados, movimento associado à capacidade do mercado de trabalho de absorver parte dessa população.
"No primeiro semestre, observamos frequentemente um movimento de ajustes, marcado por demissões e pelo encerramento de contratos temporários firmados no final do ano anterior. Também há o impacto das movimentações típicas do setor educacional, que ocorrem no início do ano. Em geral, o que se espera é que o desempenho do mercado no segundo semestre apresente uma dinâmica distinta, se preparando para as vendas de fim de ano" explicou nesta quinta-feira, 30, o analista da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), William Kratochwill
A população desalentada (2,3 milhões) apresentou redução em relação ao trimestre anterior (janeiro a março de 2026) de 14,7%, uma redução de 395 mil pessoas. Em relação ao mesmo período do ano anterior este indicador apresentou, também, variação negativa (-17%), quando havia no Brasil 2,8 milhões de pessoas desalentadas.
Ao incluir os ocupados que trabalham menos horas do que gostariam e têm disponibilidade para ampliar a jornada, a taxa chega a 9,1%. Já o índice que soma desocupados e trabalhadores em potencial - pessoas que não estão ocupadas nem procurando emprego, mas têm disponibilidade e interesse em assumir uma vaga caso ela fosse oferecida - alcança 9,3%.
"Quando se soma todo esse contingente, incluindo também os subocupados por insuficiência de horas, a taxa vai a 12,9%, é o menor patamar da série histórica e a menor, para um no trimestre terminado em junho, que antes tinha alcançado 14,4%", comentou.
No recorte da população fora da força de trabalho, o desalento manteve trajetória de queda após ter atingido um pico de 5% a 7% durante a pandemia, chegando a 2,1% no trimestre citado. O menor valor da série teria sido de 1,4% nos primeiros trimestres de 2014. No nível atual, o total informado é de 2,3 milhões de desalentados.
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