0

Diário de Notícias

DN.

Infraestrutura deve receber R$ 300 bilhões em investimentos em 2026 — recorde histórico

O investimento em infraestrutura no Brasil deve alcançar R$ 300 bilhões ao longo de 2026, segundo projeção da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib). O número representa alta de aproximadamente 50% sobre os R$ 200 bilhões estimados para 2025 e configura o maior patamar da série acompanhada pela entidade. Para efeito de comparação, entre 2016 e 2018 o setor ficou estagnado na casa dos R$ 170 bilhões anuais, período que coincidiu com a recessão econômica e a paralisia de grandes obras públicas.

Para o presidente-executivo da Abdib, Venilton Tadini, o salto não é conjuntural, mas reflete uma transformação estrutural depois de um longo período de estagnação. Ele atribui o movimento a uma curva de aprendizado do país na estruturação de projetos — capacidade de mitigar riscos, calibrar taxas de retorno, redigir contratos consistentes e melhorar a governança do setor público. Somam-se a isso um ambiente regulatório mais previsível e a ampliação das fontes de financiamento, com atuação do BNDES e maior participação do mercado de capitais por meio de debêntures incentivadas.

O pipeline sustenta o otimismo no médio prazo. A Abdib mapeia cerca de 580 projetos aptos a licitação nas três esferas de governo, que somam aproximadamente R$ 780 bilhões em investimentos previstos para os próximos anos. Energia elétrica, transportes e logística e saneamento básico concentram a maior fatia dos aportes — este último impulsionado pelas metas do novo marco legal do saneamento, que exige universalização do atendimento até 2033. Telecomunicações, por sua vez, já executou o grosso dos investimentos do ciclo atual e deve entrar em fase de estabilização.

O recorde nominal, porém, precisa ser lido com cautela. Os R$ 300 bilhões equivalem a cerca de 2,3% do Produto Interno Bruto, enquanto especialistas estimam que o país precisaria aplicar entre 4% e 4,5% do PIB ao ano, de forma sustentada por cerca de uma década, para eliminar o déficit acumulado em rodovias, ferrovias, portos, redes elétricas e saneamento. Outro ponto de atenção é a composição do gasto: o investimento público responde por apenas 17% do total, o que deixa o ritmo das obras excessivamente dependente do apetite privado e do custo do dinheiro. Ou seja, mesmo em ano recorde, o Brasil segue investindo abaixo do que precisa.

0 Comentário(s)

Faça login para comentar.