O Instituto Nacional de Câncer (INCA) lançou, em 1º de abril de 2026, um estudo pioneiro para aprimorar a detecção precoce do câncer de pulmão no SUS. O anúncio ocorreu no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Rio de Janeiro.
O que torna essa notícia curiosa e impactante?
A elevada taxa de mortalidade do câncer de pulmão está diretamente ligada ao diagnóstico tardio: cerca de 84% dos casos são identificados em estágios avançados, resultando em uma taxa de sobrevida em cinco anos de apenas 5,2%. Quando o diagnóstico chega, já é tarde demais para a maioria.
A solução que pode mudar tudo:
O rastreamento por tomografia computadorizada de baixa dose pode diminuir a mortalidade em 20%. Quando associado à cessação do tabagismo, essa redução pode chegar a 38%.
O dado mais surpreendente: esse método, direcionado a populações de alto risco, pode reduzir os diagnósticos em estágios avançados de 90% para apenas 30% dos casos.
Quem vai participar?
O INCA acompanhará voluntários do Programa de Cessação de Tabagismo da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, que conta com aproximadamente 50 mil participantes. O projeto terá duração de dois anos, com participação mínima de 397 pacientes.
Os critérios incluem pessoas entre 50 e 80 anos, fumantes ou ex-fumantes que pararam há no máximo 15 anos, com histórico de consumo elevado de cigarros.
Por que isso ainda não existe no Brasil?
O diretor-geral do INCA, Roberto Gil, explicou que o país precisa entender como o método se aplica à realidade local: o Rio de Janeiro, por exemplo, tem muitos casos de tuberculose e doenças com nódulos no pulmão que podem confundir o diagnóstico. O objetivo é produzir conhecimento a partir de um projeto-piloto antes de escalar nacionalmente.
O destaque: o Brasil já tem os equipamentos disponíveis para esse rastreamento, mas faltavam dados nacionais para transformá-lo em política pública. Uma tomografia simples, de baixa radiação, pode ser a diferença entre vida e morte para milhões de brasileiros.
0 Comentário(s)