A decisão do governo do presidente Lula (PT) de revogar, nesta sexta-feira, 13, o visto do assessor do Departamento de Estado americano Darren Beattie repercutiu na imprensa internacional.
Reuters, Washington Post e Bloomberg dedicaram reportagens ao episódio, enquadrando-o como novo capítulo de tensão diplomática entre Brasília e Washington.
Beattie havia sido nomeado pelo governo Donald Trump no mês passado para supervisionar a política dos Estados Unidos em relação ao Brasil, e teve o acesso ao País cancelado um dia depois de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes vetar sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Penitenciária da Papuda, em Brasília.
O episódio se soma a uma sequência de atritos bilaterais iniciada em agosto de 2025, quando Washington cancelou vistos de autoridades brasileiras acusadas de vínculos com um programa de envio de médicos cubanos ao Brasil, entre elas o ministro da Saúde Alexandre Padilha.
A Reuters ressaltou que a própria nomeação de Beattie - descrito pela agência como um crítico declarado do governo brasileiro - já era indicativo de que as relações entre os dois países "permanecem delicadas apesar da recente reaproximação".
A agência destacou ainda que Moraes baseou sua decisão em documento do chanceler Mauro Vieira, segundo o qual o assessor americano havia se comprometido apenas a participar de um fórum de minerais críticos e de reuniões com autoridades, sem mencionar a intenção de visitar Bolsonaro.
O Washington Post enquadrou o caso como uma disputa de retaliação mútua, chamou atenção para o silêncio da Casa Branca diante dos desdobramentos e situou o episódio no contexto da corrida presidencial brasileira.
"Brasil revoga visto de funcionário americano em medida recíproca", disse a publicação, explicando que Lula disputa a reeleição em outubro tendo o senador Flávio Bolsonaro como principal adversário.
Já a Bloomberg contextualizou mais o histórico diplomático recente, lembrando que o governo Trump passou o segundo semestre de 2025 pressionando o STF por meio de tarifas sobre produtos brasileiros e de sanções ao próprio Moraes, revertidas ao fim do ano após esforços de reaproximação.
A agência revelou ainda que Moraes havia inicialmente aprovado o encontro entre Beattie e Bolsonaro antes de reverter a decisão, e reproduziu alerta do chanceler Vieira de que a visita poderia configurar "indevida interferência" nos assuntos internos do País, sobretudo em ano eleitoral.
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