O Ibovespa fechou em alta pela segunda sessão seguida, amparado por uma combinação de fatores internos e externos. Enquanto, no exterior, o apetite pelo risco, alimentado pela melhora da perspectiva nas negociações entre EUA e Irã, estimulou fluxo, no Brasil o que garantiu o bom desempenho foi o IPCA-15 de julho muito abaixo do piso das estimativas.
Pela manhã desta terça-feira, 28, o Ibovespa chegou a romper os 178 mil pontos, em forte reação à divulgação do índice de inflação, que estimulou uma série de revisões em baixa para o IPCA em 2026 e também as apostas na continuidade do ciclo de queda da Selic para além de agosto, o que favoreceu especialmente papéis sensíveis ao ciclo econômico. O IPCA-15 subiu 0,06%, ante piso das estimativas de 0,17%.
"Além do investidor estrangeiro voltar com apetite a risco pela expectativa de um acordo de paz no Oriente Médio, temos ótimos dados de inflação aqui, que podem sim significar que o Banco Central continua tendo espaço para queda dos juros", resumiu Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad Investimentos.
A perspectiva de melhora do cenário inflacionário veio ainda da nova queda dos preços do petróleo, diante da expectativa de avanço nas tratativas para reabrir o Estreito de Ormuz. Desta vez, o recuo da commodity não foi suficiente para pressionar os papéis da Petrobras. "A empresa nem sofreu tanto, porque, além de ter resultados próximos para apresentar, um possível acordo de paz no Oriente Médio faz com que o investidor estrangeiro volte com apetite a risco", explica Nossig. A companhia divulga dados de produção e vendas após o fechamento do mercado.
Petrobras ON subiu 0,80% e a PN avançou 0,49%. O petróleo Brent para outubro caiu 4,41%, a US$ 82,08 o barril. Já Vale ON foi penalizada pelo recuo do minério durante boa parte da sessão, mas conseguiu zerar as perdas ao fechar estável.
O fluxo externo também respondeu pelo bom desempenho de outras blue chips, como as do setor financeiro. Nossig explica que o investidor estrangeiro olha o Ibovespa como um todo para os aportes. "Por isso os bancos são bastante beneficiados, porque mais de 30% do peso do Ibovespa é só o setor de bancos", diz. Itaú Unibanco PN, o de maior peso no setor financeiro, fechou em alta de 0,40%, mas o destaque foram as units do Santander (+1,13%).
Na lista das maiores valorizações, preponderaram os papéis cíclicos, com Vamos (+5,05%) à frente, seguida por Hapvida (+4,02%), acompanhando a queda dos juros futuros. Em contrapartida, Telefônica Brasil ON (-5,98%) e Tim ON (-5,81%) lideraram as maiores quedas, refletindo a leitura negativa dos balanços divulgado na segunda, seguida por Sabesp ON (-2,08%).
Em Nova York, o Dow Jones subiu 1% (+1,03%) em contraponto ao Nasdaq, que cedeu 0,22%, em dia de rotação, com saída de fluxo das empresas de chips e tecnologia em direção a setores mais tradicionais, segundo a Avenue. As bolsas americanas, exceto o Nasdaq, também se favoreceram do recuo do petróleo e do alívio nas apostas de que o Fed vá subir os juros em 2026.
O Ibovespa encerrou o dia em alta de 0,70%, com 176.564,75 pontos. Na mínima, atingiu 175.326,40 pontos (estável) e na máxima foi aos 178.538,64 (+1,83%). Em julho, o índice acumula avanço de 2,64% e, em 2026, de 9,58%. O giro da Bolsa nesta terça foi de R$ 21,9 bilhões.
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