O Ibovespa lutou para preservar, a princípio, ao menos a linha dos 190 mil pontos nesta quinta-feira, 26, penúltima sessão do mês, em que acumula ganho de 5,32%, na alternância de recordes e leves correções que tem prevalecido desde meados de janeiro. Hoje, o índice oscilou entre mínima de 188.976,57 e máxima de 191.977,51 pontos, tendo saído de abertura aos 191.248,18 pontos. Ao fim, conservou a casa de 191 mil pontos pela terceira sessão consecutiva, hoje aos 191.005,02, em leve baixa de 0,13%, com giro a R$ 29,5 bilhões. Dessa forma, vindo de outro suave ajuste - em baixa, nesta quarta, 25, também de 0,13% - não se afasta significativamente do recorde da terça-feira, 24, o 13º do ano para fechamentos de sessão.
Em fevereiro, o índice registra até aqui ganho um pouco acima de 5%, que coloca o do ano a 18,54%, perto de entregar o melhor primeiro bimestre desde 1999. Naquele intervalo, havia emendado um avanço de 20,45% em janeiro com outro também muito forte, de 9,04%, em fevereiro. Contudo, o Ibovespa mostrava então um padrão de volatilidade muito distinto, que envolveu perda de quase 40% em agosto de 1998 durante a chamada crise da Rússia, de depreciação do rublo, seguida de fortes oscilações nos meses posteriores, para cima e para baixo. Algo bem distinto da progressão atual, em que o índice da B3 vem de seu maior ganho anual desde 2016, em 2025 (+33,95%).
Uma sequência de sete ganhos mensais, como a que se espera para amanhã e iniciada ainda em agosto de 2025, não é vista na B3 desde a longuíssima série deflagrada em abril de 1996, de 16 meses, até julho de 1997.
"Resumindo: o Brasil continua a ser beneficiado por fluxo e diferencial de juros 'com relação ao exterior. Eleição começa a entrar no radar, mas ainda não é o driver principal" - o que, quando vier a ocorrer, tornará o Ibovespa mais volátil -, destaca Marcos Praça, diretor de análises da Zero Markets Brasil. "O que está mandando mesmo é o fluxo", ressalta. Ele observa que tal ingresso reforçado tende a permanecer enquanto o diferencial de juros permanecer alto e o Brasil prosseguir como uma alternativa relativamente barata em valuation.
Para além das opções em aberto para os emergentes em função da precificação dos ativos locais, a rotação global ainda em curso decorre, também, de cenário global "delicado", que envolve em especial as idas e vindas em torno das apostas de corte de juros nos Estados Unidos este ano - a qual tem como pano de fundo a troca de comando no Federal Reserve em maio e a pressão exercida pela Casa Branca, desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump, em 2025, sobre a independência do BC americano.
As condições atuais ainda favorecem progressão do Ibovespa, mas a leitura de cenário tem se tornado, gradualmente, menos "simples", observa Praça. "Exige leitura de fluxo, de curva de juros e de risco global ao mesmo tempo", diz.
Nesta penúltima sessão do mês, a cautela prevaleceu na B3 em linha com o desempenho de Nova York, em especial o do índice de referência para o setor de tecnologia, Nasdaq, que recuou 1,18%. Na semana, o Nasdaq virou hoje para o negativo (-0,03%), colocando as perdas acumuladas pelo índice em fevereiro a 2,49%. O desdobramento ocorre no dia seguinte ao balanço da Nvidia, chave do segmento de IA - e que veio acima do esperado, com lucro recorde. Ainda assim, o segmento continua a despertar escrutínio quanto ao custo e horizonte de retorno dos vultosos investimentos que vão se avolumando na IA.
Por aqui, a leve correção observada no Ibovespa se espalhou pelos carros-chefes do índice, muito moderada no fechamento em relação ao que se via mais cedo, inclusive para Vale ON, a principal ação do índice, que ontem tinha subido 2,55% e hoje cedeu 0,84%, ainda preservando ganho de 5,80% no mês e de cerca de 24% no ano.
Petrobras, que já havia mostrado fraqueza ontem, teve ajuste mais discreto nesta quinta-feira, com a ON em baixa de 0,14% e a PN, em leve alta de 0,10% no fechamento - no mês, a primeira avança 5,84% e a segunda, 4,90%. Entre os maiores bancos, que vêm de correções um pouco mais agudas nas últimas sessões, apenas Itaú (PN +4,82%) e Banco do Brasil (ON +8,90%) ainda mostram ganhos no mês de fevereiro. Hoje, Itaú PN cedeu 0,25%, enquanto BB ON caiu 1,09%. BTG Unit também sobe no mês (+3,49%), após leve alta de 0,39% na sessão.
Na ponta ganhadora do Ibovespa na sessão, Marcopolo (+5,56%), Hapvida (+4,78%) e Pão de Açúcar (+4,25%). No lado oposto, Rede D'Or (-4,53%), Vamos (-2,98%) e Natura (-2,73%).
"Um dia um tanto volátil para os mercados, principalmente no de petróleo, com muita ansiedade sobre o resultado das negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear iraniano", diz Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos.
Allison Correia, analista e co-fundador da Dom Investimentos, destaca também o petróleo, em viés negativo ante sinais de progresso, em Genebra, no encontro entre representantes americanos e iranianos. "Se o Irã ceder, os Estados Unidos devem aliviar a pressão", diz o analista, o que evitaria que um novo conflito militar reanime a percepção global de risco geopolítico. Ele destaca também declarações de Stephen Miran, diretor do Fed, que defendeu hoje a necessidade de quatro cortes, de 0,25 ponto porcentual cada, na taxa de juros dos Estados Unidos.
"Se isso vier a ocorrer, seria muito positivo para o Brasil, com apreciação do real frente ao dólar e atração de mais fluxo estrangeiro para cá", diz Correia.
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