O Ibovespa fechou esta segunda-feira, 20, em baixa, sem força para levar até o fechamento a recuperação ensaiada pela manhã, quando conseguiu romper os 174 mil pontos. À tarde, zerou a alta e ficou na linha d'água, mas acabou sucumbindo à queda no fechamento, o quarto consecutivo, na medida em que as perdas da Vale prevaleceram ao impacto positivo do avanço da Petrobras. De maneira geral, a agenda e o noticiário domésticos esvaziados e a incerteza do cenário geopolítico acabaram limitando uma trajetória firme do índice.
Pela manhã, a expectativa de retomada das negociações entre EUA e Irã após Teerã confirmar que recebeu proposta dos mediadores para reduzir as tensões trouxe um pouco de apetite ao risco e conseguiu levar a Bolsa para o azul, após alguma hesitação na abertura. Na segunda etapa, porém, o mercado adotou certa cautela, dado que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a endurecer o tom ao afirmar que Teerã "pagará muitas vezes" por cada soldado americano morto, após o governo anunciar a morte de mais um militar em meio ao conflito.
Ainda que o Brent tenha voltado a acelerar a alta, para mais de 1%, favorecendo as ações da Petrobras, o Ibovespa não conseguiu se desvencilhar das perdas da Vale, que reagiu ao recuo do minério de ferro, à notícia de que os acionistas minoritários querem ir à Justiça para suspender o acordo que garantiu compensação milionária ao ex-chairman da companhia Daniel Stieler e à expectativa pelos dados operacionais da empresa, que saem nesta terça-feira, 21. Enquanto Petrobras PN e ON avançaram 0,61% e 0,68%, Vale ON caiu 1,38%.
"É um dia pacato, sem muitas emoções. A Bolsa testou uma subida, mas ficou no zero a zero", resumiu Bruno Benassi, analista de Ativos da Monte Bravo, destacando a carência do mercado do fluxo local, "meio que inexistente", e a dependência do fluxo estrangeiro. "Exceto pelo dia em que saiu o IPCA, em 10 de julho, que teve um fluxo relativamente forte, o giro tem sido pouco relevante", explicou. Naquele dia, o Ibovespa avançou 2,97%.
Enquanto mantém o exterior no radar, o mercado também se prepara para a temporada de balanços do segundo trimestre, que começa na quarta-feira, com os números da Weg. O sentimento está dividido, relatam as repórteres Luísa Laval e Crisley Santana. Se, por um lado, a Bolsa continua a exibir uma combinação de empresas com bons fundamentos, por outro, o cenário macroeconômico mais pesado do que se imaginava no início do ano impede voos mais altos.
A lista das maiores quedas foi liderada por Yduqs ON (-5,11%), Assaí ON (-4,24%) e Braskem PNA (-4,04%). Na outra ponta, Brava ON (+2,10%), Embraer ON (+1,88%) e Hapvida ON (+1,49%) figuraram entre os maiores ganhos.
O Ibovespa fechou com recuo de 0,20%, aos 173.371,35 pontos, com máxima de 174.310,57 pontos (+0,34%) e mínima de 173.221,86 pontos (-0,28%). O giro financeiro foi de R$ 15,8 bilhões. Em julho, o índice sobe 0,78% e, em 2026, 7,60%.
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