Às vésperas da convocação para a Copa do Mundo, Endrick chamou atenção ao abrir o jogo sobre um tema pessoal: o futuro do filho que está por vir. Em entrevista ao jornal The Guardian, o atacante foi direto ao explicar por que não gostaria de ver o herdeiro seguindo seus passos no futebol profissional.
"Espero que ele ou ela se torne uma grande pessoa, um grande ser humano. E que me veja fora de campo como uma pessoa normal, não como Endrick, o jogador de futebol. O futebol não é um lugar agradável. É um ambiente muito difícil. Espero que ele ou ela se torne um advogado, um médico ou qualquer outra coisa, e que possa ser feliz em seu próprio mundo", afirmou.
A declaração surge em meio a um momento de reconstrução na carreira do jovem de 19 anos. Após perder espaço no Real Madrid, Endrick foi emprestado ao Lyon, onde conseguiu retomar protagonismo, com participações diretas em gols e sequência de jogos - fator essencial para voltar ao radar da seleção comandada por Carlo Ancelotti.
PRESSÃO, DÚVIDAS E VIRADA NA SELEÇÃO
O atacante também revelou que enfrentou um período de forte instabilidade emocional antes de um amistoso contra a Croácia, ainda em março. Na ocasião, admitiu ter vivido uma "noite de dúvidas", com receio de estar diante de sua última oportunidade de convencer a comissão técnica.
"Foi uma noite de dúvidas e um senso de urgência, eu sabia que poderia ser minha última chance. Rezei muito. Sabia que aquele dia poderia ser um ponto de virada para mim. Joguei bem, uma das minhas melhores atuações. Consegui me livrar daqueles pensamentos negativos, daquele senso de urgência, daquela pressão para jogar bem, de que poderia ser minha última chance. Isso me ajudou a tirar o peso dos meus ombros porque eu sabia que precisava jogar bem para chegar à Copa do Mundo. Mas consegui me livrar desse pensamento, não deixei que me afetasse e fiz uma ótima partida", declarou.
Mesmo com pouco tempo em campo, Endrick conseguiu mudar o rumo da partida, participando diretamente de dois gols e deixando boa impressão. O desempenho foi determinante para recolocá-lo na disputa por uma vaga na Copa do Mundo.
MATURIDADE FORA DE CAMPO E APOIO NO ELENCO
Outro ponto destacado pelo jogador foi a mudança de postura em relação às críticas e redes sociais. Antes mais afetado por comentários externos, Endrick afirma que aprendeu a se blindar para melhorar o rendimento dentro de campo.
Nesse processo, o apoio de companheiros foi fundamental - especialmente de Jude Bellingham. Segundo o brasileiro, o inglês teve papel importante na adaptação ao clube espanhol, oferecendo suporte no dia a dia e ajudando na integração ao elenco.
"Bellingham foi muito importante para mim. Ele me fez sentir bem-vindo ao clube. Eu não falava inglês muito bem, mas ele conversou comigo, tentou falar um pouco de espanhol, esteve ao meu lado e me deu conselhos. Isso realmente teve um impacto em mim. Eu tinha uma certa impressão dele antes de chegar, mas ele era completamente diferente. Ele é um jogador incrível e uma pessoa incrível também, especialmente quando se trata de amizade. Isso foi o que mais me impressionou nele", revelou.
Além dele, Endrick citou a influência de Luka Modric, destacando o aprendizado com a rotina e profissionalismo do veterano croata.
"Foi o jogador que mais me impressionou no Real Madrid. Ele é um cara que me ensinou muito no meu primeiro ano. Foi uma verdadeira aula de futebol. Ele tinha 40 anos e era muito forte. Treinava todos os dias. Quando não estava jogando, ia para o clube treinar, fazendo seus próprios treinos extras. O jeito que ele joga é incrível. Ele sempre me dava dicas, me dizendo o que eu deveria fazer em campo. Isso me ajudou muito. Ele foi um dos caras mais incríveis que já conheci no futebol."
OLHO NA COPA DO MUNDO
Apesar do momento mais estável, a presença de Endrick na Copa ainda não está garantida. O atacante segue em busca de regularidade para convencer Ancelotti de que pode integrar o grupo que estreia no Mundial em junho.
"Meu primeiro desejo é jogar a Copa do Mundo. Preciso estar lá. Esse é o meu primeiro pensamento. Antes de pensar no título, preciso fazer bem o meu trabalho no Lyon. Estou focado aqui. Preciso jogar bem nessas partidas restantes para garantir minha vaga. Meu sonho é jogar a Copa do Mundo e ajudar meu país. Darei o meu melhor para ajudar o Brasil", afirmou.
Entre evolução técnica, amadurecimento pessoal e novas prioridades fora de campo, o jovem brasileiro mostra que, mesmo no início da carreira, já enxerga o futebol com um olhar mais crítico - e bem distante da idealização comum para quem está começando.
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