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Fim de acordo ambiental com gigantes do agronegócio preocupa especialistas e ameaça proteção da Amazônia

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Um importante pacto que ajudou a conter o desmatamento na Amazônia nos últimos 18 anos chegou ao fim no início de 2026, gerando preocupação entre ambientalistas e pesquisadores. A chamada Moratória da Soja da Amazônia, um acordo voluntário firmado em 2006 entre grandes traders globais para não comprar soja cultivada em áreas desmatadas após julho de 2008, foi abandonada por grandes empresas do setor.

Empresas como ADM, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus, que integravam o pacto, decidiram sair dele após pressão de parlamentares de Mato Grosso e mudanças fiscais que retiraram incentivos ligados à adesão ao compromisso. O desmonte do acordo enfraquece um dos principais mecanismos de proteção da floresta tropical e levanta dúvidas sobre o futuro da conservação da Amazônia.

Acordo que reduziu desmatamento por quase duas décadas

Criada como um esforço conjunto entre governos, ONGs e gigantes do mercado de soja, a moratória ajudou a reduzir significativamente a pressão sobre áreas florestais e se tornou um dos pilares para o monitoramento agrícola na região. Estudos mostram que o acordo contribuiu para um recuo substancial na perda de floresta amazônica, tornando-se um modelo internacional de autorregulação entre mercados agrícolas e conservação.

Com a saída das empresas, especialistas alertam que a vigilância ambiental perde um importante componente, abrindo espaço para que áreas recém-desmatadas voltem a ser usadas para cultivo, especialmente em estados com forte presença do agronegócio, como Mato Grosso e Pará.

Preocupações com defasagem regulatória

Ambientalistas criticam a falta de mecanismos transparentes de verificação nas promessas substitutas feitas por alguns grupos empresariais. Segundo eles, sem um sistema robusto de monitoramento independente, os compromissos assumidos hoje podem ter pouco impacto prático no combate à derrubada de florestas. Além disso, a medida ocorre num contexto em que o Brasil enfrenta pressões políticas e debates sobre regras ambientais e licenciamento, que podem enfraquecer ainda mais as garantias de proteção dos biomas.

Riscos ao clima e à biodiversidade

A destruição acelerada de florestas naturais não só ameaça a biodiversidade — lar de milhares de espécies únicas — como também aumenta as emissões de gases de efeito estufa. Florestas intactas, como a Amazônia, atuam como sumidouros de carbono, capturando grandes quantidades de CO₂ e ajudando a mitigar as mudanças climáticas.

Organizações ambientais ressaltam que o fim de um pacto tão influente pode ter repercussões globais, sobretudo diante dos compromissos climáticos internacionais. Para manter a credibilidade do Brasil diante de compromissos ambientais, como metas de redução de desmatamento até 2030, será necessário reforçar políticas públicas e fortalecer instrumentos de fiscalização.

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