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FIM DA "TAXA DAS BLUSINHAS": O IMPOSTO QUE DUROU MENOS DE DOIS ANOS ACABOU E A HISTÓRIA POR TRÁS É MAIS CURIOSA DO QUE PARECE

Uma das mudanças mais comentadas no consumo brasileiro desta semana entrou em vigor ontem, 13 de maio, e já impacta diretamente quem compra na Shein, Shopee e AliExpress.

O presidente Lula assinou Medida Provisória que zera o imposto de 20% em compras internacionais de até US$ 50. A isenção federal passou a valer a partir de ontem, 13 de maio de 2026, após a publicação do texto em edição extra do Diário Oficial da União. A tributação federal sobre pequenos pacotes durou menos de dois anos.

O que torna essa história curiosa é a contradição flagrante: o mesmo governo que criou o imposto em 2024 acabou com ele agora. A decisão de zerar a cobrança aconteceu em meio à pressão para que o governo recuasse da medida em ano eleitoral. Nas redes sociais, a "taxa das blusinhas" se tornou um dos temas mais associados ao desgaste do governo Lula junto ao consumidor.

E os números mostram que o imposto estava rendendo bem para os cofres públicos — o que torna a decisão ainda mais surpreendente: entre janeiro e abril de 2026, o imposto arrecadou R$ 1,78 bilhão, 25% a mais em relação ao mesmo período do ano passado. O governo abriu mão de uma fonte crescente de receita.

Na prática, o que muda para o consumidor? Para compras de até US$ 50, o consumidor deixará de pagar o imposto de importação federal de 20% e pagará somente o ICMS, imposto estadual, que varia entre 17% e 20% conforme o estado. Para compras acima de US$ 50, segue mantida a tributação de 60%.

A indústria nacional, por sua vez, não gostou nada. Segundo entidades representantes da indústria e do comércio, a medida havia garantido uma concorrência mais justa entre o setor produtivo nacional e estrangeiro, sobretudo no campo tributário, e evitou a demissão de milhares de trabalhadores brasileiros.

Em resumo: o consumidor que compra roupas asiáticas baratinho comemora. A indústria têxtil brasileira está em alerta. E o governo, às vésperas de eleição, escolheu o bolso do comprador.

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