Desde a divulgação de mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, procurou os colegas para conversar sobre formas de retirar a Corte do centro da crise do Banco Master. Segundo interlocutores, Fachin já teria falado com os nove colegas - entre eles, Moraes e André Mendonça, o relator das investigações.
As conversas aconteceram inclusive ao logo do fim de semana. Fachin considera a situação grave e, com alguns ministros, insistiu na criação de um código de conduta para o STF. A intenção é sinalizar para a sociedade que, mesmo com desvios éticos pontuais, o tribunal está comprometido com a correção institucional.
Nesta terça-feira, 10, Fachin defendeu em discurso o "saudável distanciamento" entre juízes e as partes envolvidas nos processos. Ele aproveitou a abertura de um encontro com presidentes de tribunais superiores e de segunda instância para dar o recado aos colegas.
O STF se viu dentro da crise do Master a partir da condução de Dias Toffoli às investigações. O Estadão mostrou a ligação de um empreendimento de Dias Toffoli com fundos ligados ao Master, de Vorcaro. Toffoli foi pressionado a deixar a relatoria do caso, que passou para o Mendonça.
Na semana passada, o relator determinou nova prisão do banqueiro. Ao mesmo tempo, mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro indicam que o investigado mantinha contato com Moraes. A advogada Viviane de Moraes, casada com o ministro, mantém um contrato milionário com o Banco Master.
Alexandre de Moraes se encontrava com Vorcaro e falou com ele ao longo do dia 17 de novembro, data da primeira prisão. Além disso, sua mulher, Viviane Barci de Moraes, tinha um contrato de R$ 129 milhões com o banco, "incompatível" com valores de mercado, segundo especialistas.
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