Um homem de Long Island, autor de uma série de assassinatos conhecidos como os assassinatos de Gilgo Beach, se declarou culpado de homicídio, encerrando o caso que permaneceu sem solução por mais de 30 anos após o primeiro assassinato.
Rex Heuermann, um arquiteto que levava uma vida secreta como assassino em série, declarou-se culpado na quarta-feira, 8, de três acusações de homicídio em primeiro grau e quatro acusações de homicídio doloso pelos assassinatos de sete mulheres entre 1993 e 2010.
A audiência foi realizada no Tribunal do Condado de Suffolk em Riverhead, em Nova York, nos Estados Unidos.
Heuermann, de 62 anos, mostrou-se impassível e não olhou para trás, para a galeria lotada de familiares das vítimas, enquanto fazia suas alegações e admitia também ter matado uma oitava mulher.
Ele será condenado em junho à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
A descoberta de inúmeros conjuntos de restos mortais humanos ao longo da costa sul de Long Island, a partir do fim de 2010, desencadeou uma busca por um possível assassino em série que atraiu o interesse mundial. As famílias das vítimas passaram a duvidar que o assassino fosse algum dia capturado, à medida que a investigação se arrastava por mais de uma década.
Heuermann foi preso em 2023 após uma correspondência de DNA.
Ele confessou na quarta-feira ter estrangulado oito mulheres e esquartejado algumas delas antes de abandonar os corpos em trechos remotos do litoral de Nova York. Muitas de suas vítimas eram profissionais do sexo.
Heuermann admitiu ter matado Karen Vergata em 1996, embora não tenha sido acusado formalmente pelo crime.
Os restos mortais de seis vítimas - Melissa Barthelemy, Maureen Brainard-Barnes, Amber Lynn Costello, Valerie Mack, Jessica Taylor e Megan Waterman - foram encontrados ao longo da Ocean Parkway, perto de Gilgo Beach.
Os restos mortais de outra vítima, Sandra Costilla, foram encontrados a mais de 100 quilômetros de distância, nos Hamptons. Os restos mortais de Vergata foram encontrados em Fire Island, a mais de 32 quilômetros a oeste, em 1996, e depois perto de Gilgo Beach, em 2011.
DNA extraído de uma crosta de pizza descartada
Em 2022, os detetives identificaram Heuermann como suspeito usando um banco de dados de registro de veículos para conectá-lo a uma caminhonete que uma testemunha relatou ter visto quando uma das vítimas desapareceu em 2010.
A polícia analisou dados de celulares que mostraram que Heuermann estava em contato com algumas vítimas pouco antes de seus desaparecimentos, disseram os investigadores. Seu histórico de buscas na internet também revelou um grande interesse nos assassinatos de Gilgo Beach.
Uma equipe de vigilância o seguiu em Manhattan, onde trabalhava, e observou-o descartar uma caixa de restos de pizza parcialmente consumidos em uma lixeira na calçada. Eles correram para pegar a caixa e a enviaram para o laboratório criminal, onde o DNA coincidiu com o de um fio de cabelo encontrado em um pedaço de estopa usado para conter uma das vítimas.
O promotor do condado de Suffolk, Ray Tierney, descreveu, na quarta-feira, como os investigadores trabalharam para manter a investigação em segredo, a fim de que Heuermann não soubesse que estavam investigando seu paradeiro. "Queríamos que a única pessoa que importava, o assassino, pensasse que tudo estava normal", disse Tierney.
Como parte de seu acordo de confissão de culpa, Heuermann concordou em cooperar integralmente com a unidade de análise comportamental do FBI para ajudar a capturar outros assassinos em série.
Famílias das vítimas expressam alívio
Vários familiares das vítimas estavam presentes no tribunal na quarta-feira, e alguns choraram enquanto Heuermann detalhava os assassinatos.
Entre eles estava a mãe de Taylor, Elizabeth Baczkiel. Sua filha de 20 anos morava em Manhattan quando desapareceu em 2003. Os restos mortais de Taylor foram encontrados ainda naquele ano, a 72 quilômetros a leste de Gilgo Beach, em Manorville.
"Estou feliz que isso tenha terminado, no que diz respeito à confissão de culpa dele", disse Baczkiel. "Isso tirou um grande peso das minhas costas e das costas da minha família."
Melissa Cann, irmã da vítima Brainard-Barnes, disse estar grata por finalmente ter obtido justiça para sua irmã, cujo corpo foi encontrado em 2010.
"Esta foi uma longa jornada de esperança - a esperança de que um dia estaríamos aqui e diríamos o nome dela com justiça ao lado", disse ela, em uma coletiva de imprensa, após a audiência. "Hoje, essa longa e dolorosa jornada nos traz a este momento."
A ex-esposa de Heuermann, Asa Ellerup, e a filha deles também estavam presentes no tribunal quando ele se declarou culpado. Ellerup disse que seus pensamentos estavam com as famílias das vítimas e pediu privacidade para sua própria família. Ellerup e sua filha, Victoria, não tinham conhecimento nem envolvimento nos assassinatos, afirmou o advogado delas, Robert Macedonio.
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