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Estudo revela desigualdade no diagnóstico de câncer entre SUS e rede privada e reforça alerta para detecção precoce

O diagnóstico tardio do câncer de cabeça e pescoço continua sendo um dos principais desafios da saúde pública brasileira. Um estudo divulgado nesta segunda-feira (27), durante a campanha Julho Verde, mostrou que mais de 70% dos pacientes atendidos tanto pelo Sistema Único de Saúde (SUS) quanto pela rede privada recebem o diagnóstico da doença em estágios avançados, reduzindo as chances de sucesso no tratamento e aumentando a complexidade das intervenções médicas.


A pesquisa analisou informações de mais de 37 mil pacientes atendidos entre 2016 e 2018, reunindo dados provenientes do SUS e da rede privada. O levantamento identificou que, apesar de a proporção de casos com metástase ser semelhante entre os dois sistemas, existem diferenças importantes no perfil dos pacientes e dos tumores diagnosticados.


Entre os pacientes atendidos pelo SUS, predominam casos de câncer na cavidade oral, além de maior incidência de fatores de risco como o tabagismo. Já na rede privada, os tumores de orofaringe aparecem com maior frequência. O estudo também aponta diferenças na idade média dos pacientes, indicando que usuários da rede pública costumam receber o diagnóstico em idade inferior à observada na assistência privada.


Especialistas envolvidos no trabalho afirmam que fatores socioeconômicos ajudam a explicar parte dessa desigualdade. O acesso mais limitado a consultas odontológicas regulares, dificuldades para identificar sintomas iniciais e menor acesso a exames especializados contribuem para que muitos pacientes procurem atendimento apenas quando a doença já apresenta sinais mais avançados.


O câncer de cabeça e pescoço reúne tumores que atingem estruturas como boca, língua, garganta, laringe e faringe. Os principais fatores de risco continuam sendo o consumo de tabaco e álcool, embora a infecção pelo papilomavírus humano (HPV) também tenha aumentado sua participação em determinados tipos da doença, especialmente nos tumores de orofaringe.


Segundo os pesquisadores, campanhas de conscientização e ampliação do diagnóstico precoce são fundamentais para reduzir a mortalidade. Sintomas persistentes, como feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão por mais de duas semanas, dificuldade para engolir, dor de garganta contínua e caroços no pescoço devem ser avaliados rapidamente por um profissional de saúde.


O estudo reforça ainda a necessidade de fortalecer políticas públicas voltadas à prevenção, ao combate ao tabagismo e ao consumo excessivo de álcool, além de ampliar o acesso da população a consultas odontológicas e exames especializados. A expectativa é que estratégias de rastreamento e educação em saúde contribuam para reduzir as diferenças observadas entre os sistemas público e privado e aumentem as chances de diagnóstico em fases iniciais da doença, quando as possibilidades de cura são significativamente maiores.

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