A escalada das tensões geopolíticas joga o Ibovespa para baixo no início do pregão desta quinta-feira, 12, acompanhando a desvalorização das bolsas internacionais. O petróleo volta a subir de forma expressiva, mesmo após a liberação recorde de reservas emergenciais da commodity pela Agência Internacional de Energia. Além disso, ficam no foco balanços como Magazine Luiza, CSN, entre outros.
Paralelamente, a alta de 0,70% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro, perto do teto das projeções (0,72%), após 0,33% em janeiro, eleva a cautela nos mercados, em meio a expectativas de pressões futuras na inflação devido ao conflito no Oriente Médio.
"Enquanto não houve uma definição sobre os conflitos, os mercados devem operar reagindo a notícias mínimas, ficam nesse vai-não-vai. Para além das incertezas com a guerra, tem o IPCA acima do esperado mediana em 0,63%, o que deve limitar o campo de atuação do Banco Central", avalia Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.
Fica a expectativa pelo anúncio, pelo governo, hoje, de medidas para reduzir o impacto da oscilação do preço internacional do petróleo sobre o diesel no Brasil. "O Ibovespa pode até aprofundar perdas a depender do que vier, se vier alguma isenção de imposto", diz Spiess, no sentido de que poderia pressionar as contas públicas.
Durante a madrugada, o petróleo Brent alcançou US$ 101,59 o barril, após o Irã intensificar ataques contra infraestruturas petrolíferas e energéticas dos países do Golfo Pérsico em meio à guerra que trava com os Estados Unidos e Israel.
A commodity sobe ainda em reação à decisão da Agência Internacional de Energia (AIE), de cortar significativamente suas previsões de alta para a demanda e oferta do petróleo este ano, em meio aos efeitos da guerra no Oriente Médio. Às 9h23, o barril do petróleo Brent subia cerca de 7,0%, a US$ 98,35.
Apesar da aceleração do IPCA em fevereiro ante janeiro, quando subiu 0,33%, no acumulado em 12 meses arrefeceu a 3,81% até fevereiro, ante 4,44% até janeiro. Ainda assim, gera incertezas em agentes e investidores, dado que não captou eventuais efeitos da guerra no Oriente Médio.
"O IPCA está dentro do previsto, com ponto de atenção ao petróleo que segue tendo pressões de alta, e que pode afetar futuramente a inflação. Po isso a cautela do Banco Central em baixar a Selic", afirma Rafael Minotto, analista da Ciano Investimentos.
Desta forma, eleva incertezas sobre o tamanho do corte esperado na Selic no Comitê de Política Monetária (Copom) na semana que vem. Na curva futura, a expectativa é de redução de 0,25 ponto porcentual, com a taxa indo a 14,75% ao ano.
Marcus Novais, sócio-fundador da Private Investimentos, reforça que o IPCA de fevereiro não está refletindo o choque de petróleo. "Certamente isso será acompanhado nos próximos dias e nas próximas prévias e resultados, o que pode alterar a visão de médio e longo prazo da inflação, apesar da leitura positiva do IPCA em 12 meses", analisa.
Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 0,28%, aos 183.969,35 pontos.
Às 11h23 desta quinta-feira, caía 2,33%, aos 179.791,80 pontos, ante recuo de 2,56%, na mínima em 179.263,64 pontos, após subir 0,01%, na máxima em 183.991,88 pontos.
Em Nova York, o recuo era menos intenso, de até -1,36% (Nasdaq). "Aqui subiu muito. Começa a acender a luz amarela. Nem a alta do petróleo anima as ações da Petrobras", diz Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Warren Rena DTVN. As ações da estatal reduziam o ritmo de valorização de mais de 1% para 0,71% (PN) e 0,82% (ON), com o petróleo subindo mais de 9%. Além das altas nas ações da estatal, outras cinco subiam, de um total de 85 da carteira teórica.
Apesar do minério de ferro, que fechou com valorização de 1,34%, Vale caía 2,39%, contaminando todo o setor metálico.
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