0

Diário de Notícias

DN.

Endometriose atinge milhões de mulheres e ainda é subdiagnosticada no Brasil

A endometriose, condição que afeta cerca de uma em cada dez mulheres no mundo, segue como um dos principais desafios da saúde feminina. Apesar de relativamente comum, a doença ainda enfrenta barreiras no diagnóstico precoce e no acesso ao tratamento adequado, o que pode comprometer significativamente a qualidade de vida das pacientes.

Caracterizada pelo crescimento do tecido semelhante ao endométrio fora do útero, a endometriose ocorre quando células que deveriam ser eliminadas durante a menstruação se deslocam para outras regiões do corpo, como ovários, trompas e cavidade abdominal. Nessas áreas, o tecido continua respondendo aos hormônios do ciclo menstrual, provocando inflamações, dor intensa e, em muitos casos, complicações mais graves.

O processo natural do organismo ajuda a entender o problema. Durante o período fértil, o endométrio se espessa para receber uma possível gestação. Quando isso não ocorre, ele descama, gerando a menstruação. No entanto, em mulheres com endometriose, parte desse material segue em direção oposta, se instalando fora do útero. Com o tempo, esse deslocamento desencadeia um quadro inflamatório crônico.

Entre os principais sinais de alerta estão cólicas menstruais intensas, dor durante a relação sexual, desconforto entre os ciclos menstruais, dificuldade para engravidar e dor ao evacuar ou urinar. Em alguns casos, também pode haver presença de sangue na urina ou nas fezes. Os sintomas costumam se manifestar com mais intensidade entre os 25 e 35 anos, fase em que muitas mulheres buscam engravidar e acabam descobrindo a condição.

A pelve feminina é a região mais afetada pela doença, mas a endometriose pode atingir outros órgãos, o que torna o diagnóstico ainda mais complexo. Especialistas alertam que a demora na identificação da doença pode levar anos, muitas vezes porque os sintomas são confundidos com cólicas menstruais consideradas “normais”.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), milhões de mulheres convivem com a doença sem diagnóstico. O tratamento pode incluir uso de medicamentos hormonais, controle da dor e, em casos mais severos, intervenção cirúrgica.

Diante desse cenário, médicos reforçam a importância da informação e do acompanhamento ginecológico regular. Reconhecer os sinais precocemente pode ser decisivo para evitar a progressão da doença e preservar a saúde reprodutiva das mulheres.

0 Comentário(s)

Faça login para comentar.