O Brasil chegou a junho de 2026 com 62,891 milhões de vínculos formais de trabalho, o maior patamar já registrado. Os números fazem parte da Rais Mensalizada divulgada nesta semana pelo Ministério do Trabalho e Emprego e mostram um crescimento de 19,1% desde janeiro de 2023 — o equivalente a 10,1 milhões de postos com carteira assinada ou vínculo público criados em três anos e meio. Só em relação a dezembro de 2025, o avanço foi de 2,199 milhões de vínculos, alta de 3,6%.
Do total, 48,150 milhões são trabalhadores celetistas e 14,312 milhões são agentes públicos, categoria que reúne servidores estatutários, contratados por tempo determinado e ocupantes de cargos em comissão. O setor de serviços é o principal responsável pela expansão, saltando de 29,8 milhões para 38,3 milhões de vínculos no período. Comércio, com 10,5 milhões, e indústria, com 9,1 milhões, aparecem na sequência. O salário médio do conjunto dos vínculos formais está em R$ 4.389,49.
O recorte regional revela um deslocamento relevante do mapa do emprego brasileiro. Em termos proporcionais, Centro-Oeste (28,6%) e Nordeste (27,6%) cresceram bem acima da média nacional, enquanto o Sudeste segue liderando em números absolutos, com 3,8 milhões de novos vínculos. O Nordeste, sozinho, acrescentou 2,7 milhões de postos — sinal de que a interiorização de serviços e a expansão do agronegócio e da construção começam a redesenhar a geografia do trabalho com carteira assinada.
Outro dado chama atenção: das 10,1 milhões de vagas abertas desde 2023, 5,8 milhões foram ocupadas por mulheres, contra 4,3 milhões por homens. A participação feminina no mercado formal subiu de 44,2% para 46,4%, a menor distância já medida entre os sexos. Ainda assim, a leitura de curto prazo pede cautela: o saldo do primeiro semestre de 2026, de 921,6 mil vagas segundo o Novo Caged, foi o mais fraco para o período desde 2020, o que indica que o mercado segue crescendo, mas em ritmo mais lento do que nos anos anteriores.
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