A empregada doméstica Samara Regina Dutra, de 19 anos, que foi torturada em Paço Lumiar, na Grande São Luiz, no Maranhão, afirmou que perdeu 50% da audição como consequência das agressões sofridas. A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, de 36 anos, empresária que contratou Samara, foi presa preventivamente, ou seja, por tempo indeterminado, na semana passada. Ela é investigada pelos crimes de tortura, lesão corporal, ameaça e constrangimento ilegal.
Samara, que está grávida, contou sobre a situação em sua conta no Instagram nesta quinta-feira, 14. Ela disse ter percebido que estava ouvindo muito baixo e que passou a sentir dores. "Como consequência das coisas que aconteceram (agressões), eu estava ouvindo muito baixo, mas não achei que era algo tão sério. Mas comecei a sentir muita dor para dormir ou com barulho muito alto", explicou.
Segundo ela, o diagnóstico ainda não é conclusivo. "Com base no exame que eu fiz, aparentemente perdi 50% da minha audição dos dois lados", afirmou. "Fiquei um pouco assustada, me desesperei na hora, mas agora estou tentando lidar sem me desesperar, até porque tudo que eu sinto o Artur (bebê) sente. Então, tenho que manter a calma, mas eu vou me consultar de novo semana que vem e, até lá, vou rezar para que esteja tudo bem e eu não precise usar aparelho", contou.
Na terça-feira, 12, o governador do Maranhão, Carlos Brandão (sem partido), afirmou que Samara foi contratada para trabalhar como recepcionista na administração estadual.
Relembre o caso
Conforme a investigação, a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos agrediu a trabalhadora doméstica, grávida de cinco meses, após acusá-la de furtar um anel na sua residência. A vítima relatou à polícia que levou puxões de cabelo, socos e que foi jogada no chão. As agressões teriam continuado mesmo após o anel ser encontrado em um cesto de roupas sujas.
A jovem também disse à polícia que um homem, que seria PM, teria ajudado a empresária nas agressões. Em áudios que constam no inquérito, Carolina Sthela narra a violência contra a doméstica e diz que era para a jovem não ter saído viva. A empresária também teria ameaçado a empregada de morte caso denunciasse as agressões.
A defesa de Carolina Sthela havia admitido as agressões à empregada doméstica, afirmando que a empresária iria "pagar pelo que deve". Recentemente, Carolina trocou de advogado. A reportagem entrou em contato com ele e aguarda retorno.
O policial militar Michael Bruno Lopes Santos, suspeito de envolvimento nas agressões à empregada doméstica, também foi preso. Ele responde a um procedimento instaurado pela Corregedoria da PM para apuração da conduta e responsabilidade dele no caso. O Estadão tenta localizar a defesa do PM.
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