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Diário de Notícias

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E-mails mostram interesse de Epstein na exploração sexual de meninas brasileiras

A divulgação de mais de 3 milhões de documentos reunidos pela Justiça americana sobre o caso Jeffrey Epstein, o milionário americano condenado por tráfico sexual de menores morto na cadeia em 2019, traz milhares de menções ao Brasil que reúnem desde citações a políticos e personalidades a indícios de que o financista teria tentado traficar meninas brasileiras para os Estados Unidos.

Os documentos reúnem e-mails, depoimentos, vídeos e fotos das investigações sobre Epstein, acusado de comandar uma ampla rede de tráfico de menores. Ele cometeu suicídio na prisão antes de a Justiça julgar o caso.

No ano passado, o Congresso americano decidiu tornar os documentos públicos após pressão popular, sobretudo da base de apoio do presidente Donald Trump, amigo de Epstein, que prometeu durante a campanha tornar esses papéis públicos.

Compra de agência de modelos

A reportagem do Estadão analisou as mais de 6 mil menções ao País registradas nos arquivos. Neles, há a evidência de que Epstein manifestou interesse na compra de agências de modelos brasileira com o objetivo de "ter acesso a garotas". O conteúdo dos e-mails foi revelado primeiramente pelo jornal O Globo.

Um dos e-mails, datado de outubro 2016, contém uma conversa entre Epstein e Ramsey Elkholy, na qual este último apresenta ao milionário a possibilidade de comprar agências de modelos, revistas e até organizar concursos de beleza no Brasil para "ter acesso a garotas".

De acordo com o Wall Street Journal, Elkholy é um músico que trabalhava como recrutador para Epstein. Nos diálogos, ele faz recomendações de negócios ao empresário.

"Presumo que você está mais interessado no acesso a(ele usa um emoji de uma garota)", diz ele ao discorrer sobre as vantagens de comprar a Ford Models.

"Eles são a maior agência no Brasil e têm 120 de 300 modelos trabalhando fora do País. (...)O dono nunca teve investimento (...) e seria uma boa opção para colocar dinheiro", acrescenta.

Epstein responde pedindo para que a agência assine um contrato de confidencialidade e obter números sobre a empresa - a Ford Models nega que a negociação ou qualquer vínculo com Epstein tenha ocorrido.

Concurso de beleza

Elkholy também fala da possibilidade de patrocínio de concursos de beleza, que, segundo ele, daria possibilidade de "acesso direto" a garotas que ele poderia levar aos EUA.

"Por US$ 250 mil você teria acesso às garotas e decidir o que fazer com elas. Raramente as ganhadoras desses concursos se tornam famosas, e é por isso que eu acho que seria uma boa para você. Você pode levá-las para os Estados Unidos, Paris ou para o Caribe."

Vítimas brasileiras

Em outros dois e-mails, Elkholy menciona a Epstein garotas brasileiras. Em um deles, de 2010, ele encaminha ao empresário fotos de uma menina de 21 anos identificada como Juliana.

"Esta é Juliana, uma garota brasileira de 21 anos que eu vou levar para NY amanhã, muito sexy, pele incrível... Você estará na cidade segunda, terça ou quarta?".

Em outro, de 2014, ele menciona a possibilidade de levar uma garota brasileira para Epstein.

A vítima brasileira mais conhecida de Epstein é Marina Lacerda, de 37 anos, que foi traficada e abusada pelo empresário em 2002, quando vivia em Nova York. Ano passado, ela foi à público para compartilhar sua história junto com outras vítimas do milionário.

Como outras vítimas, ela começou contratada para fazer massagens em Epstein, à época por US$ 300, e passou a fazer parte de uma rede de meninas do bairro de Astoria, no Queens, em Nova York, que eram exploradas por Epstein em sua mansão na cidade.

"Foi do trabalho dos sonhos ao pior pesadelo", disse a brasileira. "Com Jeffrey Epstein, começa em algum lugar, mas depois termina com você fazendo sexo com ele, goste ou não disso."

Depoimento menciona o Brasil

Outro documento presente nos arquivos, noticiado primeiro pela BBC Brasil, indica que as autoridades americanas questionaram testemunhas sobre os laços de Epstein com o Brasil em sua empreitada de tráfico sexual.

Uma testemunha ouvida pela polícia, que não teve o nome revelado, disse que Epstein traficou quatro meninas brasileiras para os Estados Unidos com apoio de sua rede de tráfico sexual. Duas delas seriam menores de idade e participaram de festas na mansão de milionário em Nova York.

Elas teriam sido levadas aos EUA pelo francês Jean-Luc Brunel, ex-agente de modelos francês e conhecido parceiro de Epstein, que morreu na prisão em 2022. Para isso, segundo a testemunha, ele contou com a ajuda de uma brasileira conhecida como "agente mãe", que até hoje não foi identificada.

Segundo Marina Lacerda, cerca de 50 brasileiras foram vítimas de Epstein, a maioria delas imigrantes nos EUA.

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