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Diário de Notícias

DN.

Dólar recua 0,20% e termina a semana praticamente estável (+0,05%)

O dólar apresentou leve queda nesta sexta-feira, 26, acompanhando o sinal predominante de baixa da moeda americana no exterior, embora alguns pares emergentes do real tenham se depreciado. A continuidade do movimento de alívio nos preços do petróleo, apesar de novos atritos entre Estados Unidos e Irã, minimiza pressões inflacionárias e diminui as chances de alta de juros pelo Federal Reserve.

Além do ambiente externo menos desfavorável a divisas emergentes, houve nesta sexta nova atuação do Banco Central, com venda simultânea de US$ 1 bilhão de moeda à vista e de 20 mil contratos de swap cambial reverso (que equivale à compra de dólar futuro). Analistas ponderam que, embora não tenha efeito direto sobre a taxa de câmbio, o chamado "casadão" evita distorções pontuais e contribui indiretamente para dar sustentação ao real.

Depois de mínima a R$ 5,1563, pela manhã, a divisa reduziu o ritmo de baixa ao longo da tarde. Após operar ao redor de R$ 5,17 na segunda etapa de negócios, fechou em baixa de 0,20%, a R$ 5,1676, mas terminou a semana com ligeira valorização (0,05%). A moeda americana avança 2,47% frente ao real em junho, após valorização de 1,82% no mês passado. No ano, as perdas, que chegaram a superar dois dígitos no início de maio, quando a taxa de câmbio rondava R$ 4,90, agora são de 5,86%.

"Temos uma correção no movimento do câmbio nos últimos dias muito ligado ao cenário externo. O petróleo está recuando, o que tira pressão sobre os juros dos Treasuries e enfraquece a moeda americana de forma global", afirma a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli.

As cotações do petróleo apresentaram queda firme, apesar de acusações do presidente dos EUA, Donald Trump, de que o Irã teria utilizado ao menos quatro drones contra navios que trafegavam pelo Estreito de Ormuz. O contrato do Brent para setembro recuou 3,84%, a US$ 72,60 o barril, acumulando desvalorização de quase 10% na semana e retornando a níveis vistos antes da eclosão da guerra no Oriente Médio.

"As taxas de juros curtas nos EUA caíram com a baixa do petróleo, o que ajuda na percepção de risco. Não vejo grande espaço para apreciação do real, mas parece claro que o dólar não tem força para ficar acima de R$ 5,20", afirma o diretor de Tesouraria do Travelex Bank.

Para Weigt, os casadões do BC realizados nesta semana parecem uma atuação preventiva da autoridade monetária, que busca evitar distorções ou eventual estresse típico de fim de semestre, quando há aumento de remessa ao exterior e os bancos diminuem posições em países que não têm o selo de grau de investimento.

Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY recuava cerca de 101,300 por volta das 17h, ao redor dos 101,045 pontos, após mínima aos 101,045 pontos pela manhã. O Dollar Index termina a semana com ganhos de 2,40%, o que leva a valorização em junho para 3,10%. A taxa dos Treasuries de 2 anos, mais ligada à expectativa para a condução da política monetária, fechou na casa de 4,08%, depois de ter superado 4,20% no início da semana.

O estrategista de câmbio Francesco Pesole, do banco ING, observa que, após o núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) de maio, divulgado na quinta, vir em linha com as expectativas, os próximos gatilhos para eventual mudança nas expectativas de juros nos EUA serão a divulgação do payroll (4 de julho) e do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), no dia 14 de julho.

"A dinâmica de preços recente parece, até certo ponto, endossar nossa percepção de que muitos aspectos positivos para o dólar global já estão precificados. Pelo menos no curto prazo, o argumento para uma correção do dólar está ganhando força", afirma Pesole, em relatório.

O time de economistas do Itaú, liderado pelo ex-diretor do BC Mario Mesquita, elevou suas estimativas para a taxa de câmbio. A projeção para 2026 passou de R$ 5,15 para R$ 5,30, ao passo que a expectativa para 2027 saltou de R$ 5,35 para R$ 5,50.

"A revisão reflete principalmente a mudança do cenário externo, com expectativa de juros mais elevados nos Estados Unidos e de uma trajetória de fortalecimento do dólar", afirma o banco, acrescentando que há também uma deterioração dos termos de troca, "liderada pela queda do petróleo" e aumento do prêmio de risco no segundo semestre, com sazonalidade negativa e as eleições. "Embora o diferencial de juros ainda ofereça algum suporte no curto prazo, o conjunto desses fatores aponta para uma trajetória de depreciação à frente."

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